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quarta-feira, 23 de julho de 2008









Como o site da AMB e dos
grandes jornais que trazem o link estão congestionados, publicamos aqui a relação de nomes e respectivos processos alertando ao (e)leitor para o fato de que existem ilícitos penais de todos os quilates. Embora não haja aqui nem um santo, é bom atentar para o dimensionamento de cada um deles .

A Associação
dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou em seu site nesta terça-feira, uma lista contendo o nome de candidatos a prefeito e a vice-prefeito das capitais que respondem a processo criminal ou eleitoral. O campeão com maior número de processos é o deputado federal Paulo Maluf (PP), que concorre a prefeito em São Paulo. Na mesma lista, mais 03 peixes graúdos: Marta Suplicy Iris Rezende e Amazonino Mendes

Das 26 capitais onde haverá a eleição, 9 candidatos a prefeito e 6 a vice têm "ficha suja" na Justiça.

De acordo com o levantamento da AMB, Maluf responde a um total de sete processos que incluem crimes de responsabilidade, crime contra o sistema financeiro e de improbidade.

A vice em sua chapa, Aline Corrêa de Oliveira (PP), também tem uma ação em seu nome, por crimes contra a paz pública, quadrilha, falsificação de documento e de ocultação de bens.

O ex-governador Amazonino Mendes, candidato a prefeito de Manaus (AM), responde a processo penal enquadrado na Lei de Licitações e em crime contra o sistema financeiro e a ordem tributária.

Como o site da AMB e dos grandes jornais que trazem o link estão congestionados, publicamos aqui a relação de nomes e respectivos processos alertando ao leitor para o fato de que existem processos de todos os quilates. Embora não haja aqui nem um santo, é bom atentar para o dimensionamento de cada um deles .

Amazonino Armando Mendes Prefeito PTB Manaus AM Processos

AÇÃO PENAL Nº 2007.32.00.007742-0, 2ª VARA DA JUSTIÇA FEDERAL DE MANAUS, CRIMES DA LEI DE LICITAÇÕES /CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL/CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA.

OBS: O CANDIDATO IMPETROU HABEAS CORPUS NO TRF-1ª REGIÃO VISANDO O TRANCAMENTO DA ALUDIDA AÇÃO PENAL, TENDO SIDO A ORDEM CONCEDIDA EM SESSÃO REALIZADA NO DIA 24.06.08, SEM QUE, CONTUDO, ATÉ A PRESENTE DATA, ESSA DECISÃO TENHA SIDO PUBLICADA.

Maria Dalva De Souza Figueiredo Prefeita PT Macapá AP Processos

AÇÃO PENAL Nº 491, Supremo Tribunal Federal, CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA/FALSIDADE IDEOLÓGICA/CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL/PREVARICAÇÃO

Sérgio Braga Barbosa Vice-prefeito PPS Fortaleza CE Processos

AÇÃO PENAL Nº 2000.81.00034025-2, 11ª VARA FEDERAL DE FORTALEZA, CRIMES CONTRA FÉ PÚBLICA/FALSIDADE IDEOLÓGICA/USO DE DOCUMENTO FALSO.

Iris Rezende Machado Prefeito PMDB Goiânia GO Processos

AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 200600459998 – 1ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE GOIÁS – IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

OBS: A AÇÃO FOI JULGADA IMPROCEDENTE EM 1º GRAU. O MINISTÉRIO PÚBLICO RECORREU DA DECISÃO E A AÇÃO FOI REMETIDA AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE GOIÁS.

Pitágoras Lincoln de Matos Vice-prefeito DEM Belo Horizonte MG Processos

AÇÃO PENAL Nº 002401605698-8, 4ª VARA CRIMINAL DE BELO HORIZONTE, ABUSO DE AUTORIDADE.

Jorge Carlos Mesquita Vice-prefeito PSL Belém PA Processos

AÇÃO PENAL Nº 2000.2.007274-8, 12ª VARA CRIMINAL DE BELÉM, CRIME CONTRA A PESSOA/LESÃO CORPORAL/CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO/DANO.

Leila Márcia Silva Santos Vice-prefeita Frente Belém Popular Belém PA Processos

AÇÃO PENAL Nº 2001.39.00.005470-5, 3ª VARA FEDERAL DE BELÉM, CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO/DANO/CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA/DESACATO/CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL/SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO.

Marinor Jorge Brito Prefeito PSOL Belém PA Processos

AÇÃO PENAL Nº 1996.2.010154-5, 12ª VARA CRIMINAL DE BELÉM, CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO/DANO/INCITAÇÃO AO CRIME

Hamilton Nobre Casara Prefeito PSDB Porto Velho RO Processos

AÇÃO CIVIL DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Nº 2006.41.00.004196-0, 1ª VARA FEDERAL DE PORTO VELHO, REVOGAÇÃO E ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO.

Lindomar Barbosa Alves Prefeito PV Porto Velho RO Processos

AÇÃO PENAL Nº 462, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO.

Maria Suely Silva Campos Vice-prefeita Boa Vista de Todos Nós Boa Vista RR Processos

AÇÃO PENAL Nº 2008.42.00.000608-0, CRIME CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA/PECULATO

Aline Corrêa de Oliveira Andrade Vice-prefeita PP São Paulo SP Processos

AÇÃO PENAL Nº 473, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA/QUADRILHA OU BANDO/CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA/FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO/ CRIMES DE OCULTAÇÃO DE BENS, DIREITOS OU VALORES

Marta Suplicy Prefeita PT São Paulo SP Processos

AÇÃO PENAL 050.05.029363-0/00 – FÓRUM CENTRAL DA BARRA FUNDA (SP) - 10ª VARA CRIMINAL/ AÇÃO PENAL 455 – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – CRIMES DA LEI DE LICITAÇÕES

Paulo Salim Maluf Prefeito PP São Paulo SP Processos

AÇÃO PENAL Nº 458 – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – CRIME DE RESPONSABILIDADE

AÇÃO PENAL Nº 461 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA/QUADRILHA OU BANDO/CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL/ CRIMES DE OCULTAÇÃO DE BENS, DIREITOS OU VALORES

AÇÃO PENAL Nº 477 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

AÇÃO PENAL Nº 483 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – CRIMES CONTRA O SITEMA FINANCEIRO NACIONAL

AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Nº 583532002023719, FÓRUM FAZENDA PÚBLICA (TJ-SP) (SEGREDO DE JUSTIÇA)

AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Nº 5835320010119506 - 14ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE SÃO PAULO (SP)

AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Nº 583532000178798 - 6ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE SÃO PAULO (SP)

OBS: O SISTEMA DE BUSCA PROCESSUAL DA PÁGINA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO NA INTERNET NÃO OFERECE A POSSIBILIDADE DE FAZER LINKS PARA AS AÇÕES. PARA CONSULTÁ-LAS, ACESSE WWW.TJ.SP.GOV.BR

RAUL DE JESUS LUSTOSA FILHO PREFEITO PT/FORÇA DO POVO PALMAS TO Processos

AÇÃO PENAL 2007.01.00.011040-4, TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL 1ª REGIÃO - CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA

NOVO SÍMBOLO

terça-feira, 22 de julho de 2008

A nova sede da televisão central chinesa, que está sendo construída em Pequim, é um monumento arquitetônico que pretende competir com o Big Ben, em Londres, e com a Torre Eiffel, em Paris.

O ambicioso arranha-céu, conhecido como 'donut torcido', é composto por dois blocos de torres que se unem através de uma estrutura de espaço aberto.
A obra do arquiteto holandês, Rem Koolhaas, que começou a tomar forma no fim de 2004, já foi considerada uma reinvenção do design de arranha-céus.

O processo de construção foi tão complexo, que os engenheiros envolvidos no projeto garantem que não teria sido possível fazê-lo há alguns anos. Ao todo foram usadas 10 toneladas de aço para garantir que o edifício resiste a tremores de terra.

Apesar das críticas aos U$ 750 milhões gastos no projeto e à falta de símbolos chineses, o arquiteto Rocco Yim, que em 2002 fez parte do júri que escolheu o 'donut torcido', considera que a obra "capta o espírito futurista que o país tem neste momento".

Deng Xuexian, professor de arquitetura na Universidade de Tsinghua, defende que é normal que o novo design cause polêmica. “Como aconteceu com a Pirâmide do Louvre”, arremata.

O edifício é uma espécie de Torre de Pisa chinesa – torto propositalmente –, com um cálculo estrutural preciso que desafia a gravidade, ligando o topo de dois prédios inclinados a 230 metros de altura (mais de 60 andares). A área construída tem cerca de 10 hectares, incluindo o núcleo de produção e a administração da TV, mais um complexo com hotel, teatro e centro de exposições para os visitantes.

DIRETO PARA HAIA

O ditador hoje.E ontem!

A Justiça sérvia ordenou hoje a extradição de Radovan Karadzic para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, instalado em Haia. A concretização da decisão poderá transformar-se, porém, numa batalha jurídica.


O antigo chefe político dos sérvios da Bósnia (durante a guerra 1992-1995), acusado de ter orquestrado o massacre de Srebrenica, dispõe de três dias para recorrer da decisão, o que, segundo o seu advogado, é o que vai acontecer.

Apesar da Sérvia desejar uma transferência rápida de Karadzic para Haia, a complexidade do dossiê poderá retardar a extradição para o TPI. Criado em 1993, por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, este tribunal visa levar à justiça internacional todos os responsáveis por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante os conflitos que se seguiram ao desmembramento da Jugoslávia.

IDENTIDADE SECRETA

Johil Camdeab

PETRÓLEO: BENÇÃO OU CASTIGO?

Acompanhando a descoberta de reservas abundantes em petróleo na área do pré-sal, descortina-se também a polêmica sobre a direção para onde toda esta riqueza vai nos levar. Que pode e vai gerar muito dinheiro, não há dúvidas, pois afinal a lógica do mercado está aqui: os países que não foram agraciados com grandes reservas de petróleo precisam comprar daqueles que produzem. É um dinheiro relativamente fácil, e por conseqüência perigoso.

Juan Pablo Perez, ex-ministro e diplomata da Venezuela (considerado o “pai da OPEP”), ao testemunhar as dificuldades políticas e econômicas causadas pelo petróleo a seu país, afirmou com pesar que, para ele e para a Venezuela, o petróleo nunca foi uma dádiva. Certa vez chegou ao ponto de chamá-lo de “excremento do Diabo”.

É verdade que, mantendo-se as devidas proporções, os grandes produtores de petróleo tiveram (ou ainda têm) economias mais fragilizadas do que aquelas de outros países - como Japão e Alemanha - que jamais contaram com reservas do “ouro negro” (e que passaram boa parte do século XX arrasados por guerras). Hoje, dentre os vinte maiores produtores de petróleo, dezesseis são ditaduras, muitas das quais envolvidas em fortes conflitos militares, e duas são democracias bastante frágeis.

Por outro lado, há de se notar que estamos lidando com uma série de contextos e aspectos político-econômicos distintos, e que equiparar o Brasil de hoje ao que esses países foram no momento de seu próprio surto petrolífero seria um descuido. Não temos, é claro, qualquer intenção de comparar-nos também à Noruega ou aos EUA, países os quais se desenvolveram em larga escala com ajuda do petróleo e que hoje surgem como sociedades muito bem-estruturadas. Somos um caso particular e desta maneira devemos analisar nossa situação.

Uma analogia que podemos traçar neste caso é a hipotética situação de um jovem herdeiro ao receber uma grande fortuna de herança. Sendo este jovem bem estruturado e capaz de administrar suas possibilidades, esta herança poderia multiplicar-se e assim tornar-se capaz de garantir segurança e conforto para várias gerações de sua família. Por outro lado, se sua maneira de encarar a fortuna for indolente, e o dinheiro direcionado para uma vida de excessos, nada sobrará para seus filhos e netos. Assim, seu potencial de desenvolvimento pessoal será completamente anulado, e ao longo dos anos tudo aquilo que lhe chegou como uma dádiva acabará transformando-se em ruína.

Nosso país entra no limiar desta questão, ainda indeciso quanto à sua personalidade. Se por um lado é verdade que a corrupção e a falta de transparência ainda reverberam nas relações econômicas e políticas do país, por outro a evolução existe e tem sido mais rápida do que o esperado. Mesmo com todos os aspectos negativos que as polêmicas do atual governo geraram, é inegável que estamos assistindo à consolidação de nosso processo democrático a cada eleição.

O mundo entra hoje no fim da era do petróleo barato, e o Brasil está na lista dos maiores beneficiados deste novo momento que se precipita. Observe que hoje são especuladas reservas de mais de 60 bilhões de barris, capazes de gerar - a médio prazo - uma produção de (em média) 4 a 5 milhões de barris/dia. Isso significa, considerando que as cotações dificilmente cairão abaixo dos US$ 90,00 (podendo na realidade bater facilmente a casa dos US$200,00) e que consumidores nunca faltarão, que estamos diante de uma realidade econômica capaz de mudar radicalmente nosso país.

A título de exemplo, se em um futuro não muito distante o Brasil exportar apenas 2 milhões de barris/dia e a cotação estiver girando em torno de US$ 150,00, teremos uma receita estimada em 108 bilhões de dólares/ano. Mantida esta receita por 15 anos, o que não é uma previsão de forma alguma utópica, estaremos diante de mais de 1,5 trilhões de dólares (só de exportação).

Não desejamos, é claro, que todo este lucro inscreva o Brasil no “Guiness Book” como o país com o maior número de milionários e bilionários do planeta, portanto, tal qual na analogia do jovem herdeiro, faz-se necessário que o país e aqueles que controlam a Indústria sejam capazes de enxergar esse patrimônio não como dinheiro que jorra do subsolo para o bolso e sim como o recurso que irrigará nosso desenvolvimento.

Propostas sobre como investir os “royalties” e outras receitas do petróleo não faltam. É evidente que a própria Indústria do Petróleo precisará de novos investimentos para se manter produtiva por um prazo satisfatório. Para isso é necessário priorizar a manutenção das reservas, antes de qualquer outro investimento. O investimento social, especialmente em educação, saneamento e infraestrutura, também surge de maneira natural como meio para erguer as bases de um país fortalecido.

Com o capital gerado pelo petróleo, nosso maior desafio passará a ser a identificação das maiores vocações de nosso país, para que saibamos onde e de que maneira investir. Um país com o potencial e o tamanho do Brasil não pode viver de monoculturas e/ou depender somente do petróleo.

O Brasil apresenta, por exemplo, uma forte vocação para tornar-se o "celeiro do mundo”, pois dispomos de milhões de hectares de terra arável disponível, além de abundância de água e excelentes níveis de energia solar. Embora estejamos sempre no topo ou próximos do topo em quesitos como pecuária, café, laranja, soja e cana-de-açúcar, ainda tratamos de maneira desorganizada e amadora nossa produção. Falta inspirar-nos no exemplo da China, que ao ocupar o primeiro lugar (arroz, aço, suínos, pesca, cimento, etc.) trabalha suas possibilidades de maneira tão espetacular que alcança uma distância impressionante de praticamente qualquer outro concorrente.

Ocorre para nós como algo inconcebível que um país com o nosso litoral, superior ao chinês, apresente uma atividade de pesca mais de quarenta vezes menor. Outro exemplo da discrepância da nossa produção é o aço. Com reservas de minério de ferro similares às da China, produzimos 1/6 do aço que produzem os chineses.

Considerando nossa baixa densidade demográfica - 22,18 habitantes por Km² (2006) – é possível projetar o lançamento de parte de nossa população de 188,9 milhões de brasileiros para o interior do país, já que cerca de 85% desta população vive nos grandes centros urbanos, onde a criminalidade e os problemas ambientais apenas seguem aumentando.

É vital também, devemos ressaltar, voltarmos nossos esforços para a preservação e recuperação de nossos rios, águas subterrâneas e solos, pois é este nosso maior patrimônio. Hoje, enquanto o mundo vive sua mais séria crise ambiental em milênios, a manutenção do futuro passa obrigatoriamente por proteger as riquezas naturais do país.

Estamos diante de um ponto de virada da história. Não temos a menor dúvida de que os recursos dos quais dispomos mudarão o destino do país. Como será esse destino, ainda não é possível saber. Mas certo é que o Brasil de hoje vislumbra como nunca a oportunidade de ocupar o lugar que lhe cabe, o espaço de potência que deveria ter sido e ainda não alcançou.

Mauro Kahn & Pedro Nóbrega

VEM AÍ, O PORTAL VIDABRASIL

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Dia 31 de Agosto de 2003, após 18 anos de circulação ininterrupta, foi impressa a última edição da Revista Vida Brasil. Decorridos 05 anos, depois do silêncio, retornamos com energia redobrada e desta feita, dentro de uma nova concepção editorial.


Embarcados na informática, gestamos através do Blog http://revista-vidabrasil.blogspot.com/, a continuidade da Revista Vida Brasil que mesmo inativa, continuou com seus arquivos hospedados na Loca Web, um dos melhores e mais importantes provedores do país. Para nossa satisfação, segundo relatórios do provedor (foto), embora desatualizada, a Revista Vida Brasil continua recebendo uma média de 8 mil visitas/mês.


Domínio: vidabrasil.com.br


Relatório: Resumo - vidabrasil
Intervalo: 01/06/2008 - 30/06/2008

Totais

Visitas

8218

Impressões de Página*

17117

Hits*

60009

Bytes Transferidos

1,01GB


Médias por Dia

Visitas

273,93

Impressões de Página

570,57

Hits

2000,30

Bytes Transferidos

34,50MB


Médias por Visita

Impressões de Páginas

2,08

Hits

7,30

Bytes

128,98KB

Duração

222s



Baseados nesses dados estamos reconstruindo-a em forma de um moderno Portal de Notícias que pretende chegar ao final do ano com a marca de 100 mil visitas/mês.

Portanto, a partir do dia 30/07/2008, estaremos inaugurando o Portal http://www.vidabrasil.com.br/ que está sendo construído pelo design gráfico Rai Rabelo . Aguarde!

ESCOPETA NÃO É CHOCALHO

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ao reativarem a IV Frota, os EUA sugerem que têm força para, por exemplo, bloquear o comércio externo da América do Sul. Em teoria, a disposição de um estado mais poderoso a exercer violência só pode ser enfrentada por alianças entre parceiros que consigam superar suas próprias rivalidades

"Pode-se perguntar por que um estado mais forte
desejaria atacar um mais fraco,
mas certamente esse não é o ponto.
O fato decisivo é que, no nível interestatal,
a unidade maior pode atacar os grupos mais fracos.
Como não há quem possa impedir esses ataques,
os grupos humanos mais fracos vivem
em contínuo e inevitável estado de insegurança”

Norbert Elias, Envolvimento e Alienação

A reativação da IV Frota Naval dos Estados Unidos, na zona do Atlântico Sul, provocará uma mudança radical e permanente, nas relações militares dos EUA, com a América Latina. Foi por isto que surpreenderam tanto as primeiras explicações americanas, a respeito da reativação da sua Frota – criada em 1943 e desmantelada em 1950 –, que teria sido uma simples decisão “administrativa”, tomada com objetivos “pacíficos, humanitários e ecológicos”.

A mentira não é um pecado grave no campo das relações internacionais. Pelo contrário, mentir ou dizer meias-verdades, com competência, foi sempre uma arte e uma virtude essencial da diplomacia entre as nações. Portanto, não foi isto que chamou atenção, na declaração das autoridades americanas: foi o seu desrespeito pela inteligência dos interlocutores, e o seu deboche com relação à impotência dos governos afetados pela sua decisão. Mesmo quando se falasse também da necessidade de “combater a pirataria, o tráfico de drogas, de pessoas e de armas”, sem explicar, ao mesmo tempo, porque a IV Frota não foi reativada durante a Guerra Fria, ou mesmo depois da Revolução Cubana e da Crise dos Mísseis, de 1962, quando o “fluxo ilegal de armas e pessoas”, e o “tráfico de drogas” eram iguais ou maiores do que hoje. Por isto, tiveram grande repercussão as declarações “corretivas”, das autoridades navais dos EUA, feitas na Base Naval Mayport, na Flórida, no dia 11 de julho de 2008. Em particular, o discurso inaugural do almirante Gary Roughead, chefe de Operações Navais da Marinha Americana, que redefiniu o objetivo principal da nova Frota, destinada a “proteger os mares da região daqueles que ameaçam o fluxo livre do comércio internacional”, ao mesmo tempo em que advertia, aos desavisados, que “ninguém deve se enganar: porque esta frota estará pronta para qualquer operação, a qualquer hora e em qualquer lugar, num máximo de 24 a 48 horas”.

Com respeito à proteção do comércio marítimo, todos os especialistas sabem que só tem capacidade de proteger o “livre fluxo do comércio mundial”, quem também tem a capacidade de interrompê-lo. Ou seja, quem tem poder para proteger, também tem o poder de excluir concorrentes, se for o caso, quando se acirra a competição entre os estados e os capitais privados – como está acontecendo, neste início do século 21. Depois de quase uma década de crescimento contínuo e acelerado, a economia mundial enfrenta, neste momento, uma disparada dos preços, da especulação e da escassez de algumas commodities fundamentais, como é o caso do petróleo, dos alimentos e dos minerais estratégicos.

A competição imperialista já chegou à África. Deverá atingir a América Latina de forma ainda mais intensa, devido aos recursos energéticos, reservas minerais e hídricas, imensa capacidade de produção alimentar

E neste momento, já está em curso uma nova “corrida imperialista”, entre as grandes potências, que lutam por sua segurança energética e alimentar, exatamente como aconteceu no final do século XIX, e início do século XX. Uma competição que já chegou à África, e deverá atingir a América Latina, de forma ainda mais intensa, graças aos seus recursos energéticos, às suas grandes reservas minerais e hídricos, e à sua imensa capacidade de produção alimentar, muito superior à da África. Em particular, no caso do Brasil, que deverá ser – em breve – o maior exportador mundial de alimentos, e um dos grandes exportadores de petróleo, além de ser o principal “proprietário” das águas e da biodiversidade amazônica. Existindo um agravante, no caso brasileiro, do ponto de vista das autoridades norte-americanas: o fato de ser o país que está liderando os processos de criação da Unasul e do Conselho Sul-Americano de Defesa, organizações que excluem os EUA e esvaziam o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, e a Junta Interamericana de Defesa, controlados pelos norte-americanos.

Esta história, entretanto, traz uma lição importante para o futuro da América Latina, e do Brasil em particular. Faz um século, mais ou menos, o almirante e geopolítico Alfred Mahan, notabilizou-se pela sua defesa militante da idéia que os EUA jamais seriam uma “grande potência”, apoiando-se apenas no seu desenvolvimento econômico. Para ter estatuto internacional, precisariam de uma esquadra naval capaz de projetar o poder americano ao redor do mundo, como havia feito a Inglaterra, no século XIX. O almirante Mahan exerceu grande influência pessoal sobre o presidente Theodore Roosevelt, logo no início do século 20, e depois se transformou no maior símbolo de todos os tempos do poder naval americano. Com razão, porque menos de meio século depois da sua morte, os EUA já eram o maior poder naval da história da humanidade, controlando todos os mares e oceanos do mundo, com suas sete frotas navais.

Neste momento, os EUA acabam de reativar a sua IV Frota, mas poderão criar muitas outras, se quiserem, sem ferir o Direito Internacional, sem precisar utilizar as águas soberanas de outros estados, e sem precisar dar explicações a ninguém. Obedecendo apenas aos seus cálculos estratégicos e ao seu poder de construir e distribuir navios militares ao redor do mundo, como havia proposto Alfred Mahan. Segundo o sociólogo alemão Norbert Elias, a dura verdade é que, “se algum estado for mais forte ou se acreditar mais forte que seus vizinhos, sempre haverá a possibilidade de que tente obter vantagens, o que pode ocorrer de diversas formas, hostilizando-os, fazendo exigências ou invadindo-os e anexando-os [...] e só existe uma possibilidade de um estado com maior potencial de violência ser impedido de explorar ao máximo sua porção de poder relativo: ele só pode ser reprimido por outro estado equivalentemente forte ou por um grupo de estados que consigam controlar as rivalidades entre si em grau suficiente para favorecer seu potencial combinado de poder”

José Luiz Fiori

Sob autorização de Le Monde Diplomatique

ESTÁ CHEGANDO O AUTOMÓVEL DE AMANHÂ

quinta-feira, 17 de julho de 2008


"Senhor automóvel, por favor, me leva até a Praia de Copacabana!!!. Já não falta muito para que até aqueles que não têm motorista possam viajar de carro sem ter de se sentar ao volante. Nos Estados Unidos, a tecnologia tem dado passos largos nessa direção

Os veículos de teste recorrem a uma mistura de tecnologias convencionais, como câmaras de vídeo, GPS e computadores, e conseguem circular totalmente autônomos, em condições idênticas às encontradas nas estradas, reagindo à sinalização, a veículos em sentidos diferentes e a uma série de obstáculos urbanos. "As mudanças que estamos implementando vão alterar o modo como as pessoas conduzem e utilizam os seus veículos", diz Larry Burns, vice-presidente do setor de Pesquisa, Desenvolvimento e Planejamento Estratégico da General Motors Corporation (GM). "Imaginem ser conduzido por um motorista virtual enquanto lê os seus e-mails, toma o café da manhã ou vê as notícias. O projeto que estamos desenvolvendo com a Carnegie Mellon é um grande passo para tornar estas situações em realidade", arremata.

Levando a sério-A GM, que agora assinou uma parceria com a universidade de Carnegie Mellon, é uma das marcas que está levando mais a sério a automação total dos veículos motorizados. Com esse objetivo, criou o GM-Carnegie Mellon Autonomous Driving Collaborative Research Lab que está sendo implementado por um período de cinco anos, num acordo que envolve cerca de cinco milhões de dólares. O objetivo é influenciar a forma como os condutores e os veículos vão interagir no futuro, através das novas tecnologias, eletrônica e software. No ano passado, a GM e a Carnegie Mellon foram os vencedores do DARPA Challenge, promovido pela Agência de Projetos Avançados de Defesa norte-americana numa antiga base militar da Califórnia.

O carro vencedor, um Chevrolet Tahoe apelidado de "Boss", percorreu os 96 quilômetros da prova urbana, que tinha de ser completada em menos de 6 horas, à média de 22,53 kms/h, obedecendo a todas as regras de tráfego e reagindo aos outros veículos em prova. O feito valeu-lhe um prêmio de 2 milhões de dólares.

Em segundo lugar ficou a equipe da Universidade de Stanford, com um Volkswagen Passat e em terceiro a Universidade da Virginia, com um Ford Escape híbrido. "Os robôs por vezes surpreendem o mundo, inspiram muitas pessoas e alteram as crenças daquilo que é possível fazer", afirma William Whittaker, professor de robótica na Universidade Carnegie Mellon e chefe da equipe vencedora. "Vemos que de vez em quando a percepção do que é possível se altera e que isso não volta atrás. Isto é algo fenomenal para a robótica", acrescenta.

Pioneirismo-A universidade americana foi uma das pioneiras em navegação autônoma, desde o anúncio, em 1984 dos veículos NavLab, mas em 20 anos, muita coisa mudou: melhorou a capacidade de resolução de algoritmos através de processadores centrais mais rápidos e eficazes, que cruzam volumes de informação elevados, o posicionamento GPS, as referências visuais das câmaras de vídeo e os radares. Ao analisar estes dados, os automóveis são ainda forçados a tomar decisões, como ultrapassar em segurança veículos mais lentos que sigam na frente, ou imobilizar-se em caso de outro veículo cruzar seu caminho.

A primeira vez que um carro trafegou sem condutor foi em 1994. O VaMP, uma Mercedes 500 SEL alterado por uma equipe da Universidade de Bundeswehr, em Munique, circulou cerca de 160 quilômetros sem intervenção humana a velocidades próximas dos 130 kms/h - ainda que numa autoestrada - mudando de faixas e ultrapassando outros carros. O projeto, chamado Eureka Prometheus, foi financiado pela União Européia, com o único objetivo de desenvolver automóveis "inteligentes".

Já no caso americano, o objetivo é bem diferente. O projeto, financiado pelo Ministério da Defesa, pretende que até 2015 as Forças Armadas dominem tecnologia que permita que até um terço dos veículos de combate circulem sozinhos. "Qualquer tarefa difícil, suja ou perigosa que possa ser feita por uma máquina em vez de um humano protege os nossos combatentes e permite que valiosos recursos humanos sejam utilizados mais eficazmente", pode ler-se na Lei 106-398 do Congresso norte-americano, que aprovou o financiamento do DARPA Challenge.

DE VOLTA...

Johil Camdeab

ATRIBULAÇÕES DE UMCHINÊS FORA DA CHINA

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Como no tempo do Camarada Mao, os ocidentais passam horas em doutrinação política. Aqui é em frente à televisão. Um deles disse- -me que era muito diferente da China, porque não é doutrina, mas notícias e debates (exactamente como lhe chamavam os comissários do povo), e porque se pode escolher aquilo que se ouve. Ao princípio acreditei, mas depois vi que não há escolha. Todos dizem o mesmo. E querem eles ensinar-nos liberdade!
Honorável primo Chu Agradeço a carta e as notícias. Espero que tudo continue bem aí em Beijing. Como passa a tia Ma? Por cá as coisas andam prósperas. Com os estrangeiros daqui em crise, é bom para a nossa loja e restaurantes.

Quanto às perguntas que me faz acerca dos ocidentais, tem toda a razão em estar preocupado com os Jogos Olímpicos que se aproximam. Tenha muito cuidado, porque os narizes compridos só dizem mentiras. Falam muito em liberdade e querem ensinar a todos o que ela é, mas só conhecem as liberdades que não interessam. Faltam-lhes as realmente importantes.


Andam muito orgulhosos por poderem escolher os chefes e dizer mal deles. Como acham que nós não dizemos, consideram-nos oprimidos. Mas não têm liberdade para vender, comer, guiar, despejar lixo e mil outras coisas. É proibido fumar cigarros, cortar árvores, fazer barulho. Vendem só a certas horas e em certos sítios. Não se pode trabalhar à noite ou quando se é velho. Nem imagina o que eles exigem para se andar de carro (por exemplo, um colete verde!!). Proíbem muitas comidas, das nossas ou mesmo das que eles sempre comeram. Ficam fulos se não dividimos o lixo. Até querem controlar a maneira como se escreve. Tudo tem regras, imposições, limites. Sobretudo papéis. Muitos papéis. Chamam a isto progresso e liberdade.

O Fu diz que a vida na terra dos narizes grandes é como a que tínhamos no tempo do Camarada Mao. Eu achava exagero (sabe como é o primo Fu...) mas um dia vi que tinha razão. Vieram ao restaurante alguns guardas vermelhos armados. Diziam ser fiscais da economia, mas senti aquele mesmo medo da revolução cultural. Viram tudo, inventaram multas por nada, ralharam e levaram preso o tio Deng.

Como no tempo do Camarada Mao, os ocidentais passam horas em doutrinação política. Aqui é em frente à televisão. Um deles disse- -me que era muito diferente da China, porque não é doutrina, mas notícias e debates (exactamente como lhe chamavam os comissários do povo), e porque se pode escolher aquilo que se ouve. Ao princípio acreditei, mas depois vi que não há escolha. Todos dizem o mesmo. E querem eles ensinar-nos liberdade!


Como vai ter narizes grandes em Beijing, precisa conhecê-los. Diz-se que só pensam em dinheiro, mas isso também nós. A diferença é que, além da tal liberdade, eles adoram três coisas: papéis, saúde e sexo. Quando aos papéis, já lhe expliquei: há papéis para tudo. Não sei se foi boa ideia termos-lhe dado essa nossa invenção. Depois andam sempre aterrorizados com a saúde. Gastam imenso dinheiro em médicos e remédios, mesmo quando não estão doentes. Para eles tudo -comida, sexo, trânsito, desporto- é um problema de saúde. Andam loucos com o corpinho. Depois morrem como toda a gente.


Quando não é papéis ou médicos, é sexo. A coisa que mais os cega é sexo. Aqui as mulheres deles andam quase nuas na rua (cuidado com as primas!!). Cega-os porque não o entendem. O sexo deles não é para ter filhos, mas para vender sabonetes. Não é para ter família e ser feliz, mas para trair, zangar, ter sarilhos. Chamam-lhe liberdade, claro!

Liberdade! Nem fazem ideia o que seja! Também não sabem o que é honra, respeito, dignidade. Escolhem os chefes (embora, como aí, os que mandam sejam sempre os mesmos), mas logo a seguir começam a dizer mal deles. Só querem a liberdade de criticar porque odeiam os chefes. Odeiam muito mais que nós. Nunca vi um povo odiar tanto. Quem diz pior do Ocidente são os jornais ocidentais (se ler o que dizem da China, farta-se de rir porque eles não sabem nada).

Descobri um truque que lhe pode ser muito útil: nas discussões com eles é fácil pô-los a gritar entre si. Quando criticarem a política do filho único, diga-lhes que têm menos os filhos que nós. Se acusarem a pena de morte, acuse a eutanásia e o aborto. Se falarem no Tibete pergunte-lhes pelo Iraque. É que eles além dos chefes, odeiam o sistema (dizem sempre que está "podre"), odeiam a vida, odeiam-se a si mesmos. Este povo adora dizer mal de si próprio. Chamam-lhe liberdade.

Saudades do primo Guo.

João César das Neves
professor universitário-Lisboa