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O HAITI É AQUI?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Em carta endereçada a um grupo de intelectuais, o professor da UFBA,Jorge Nóvoa, responde , comenta aspectos do socialismo, fala sobre democracia,revolução,liberdades individuais, tortura e a relação entre Cuba, Estados Unidos e Guantánamo

Jorge Nóvoa, entre
outras atividades intelectuais, éDoutor
pela Universidade de Paris 7 - Denis Diderot, 08 de março de 1985; Pós-doutor pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris) 1998-1999; Professor Convidado da Universidade de Paris III - Sorbonne Nouvelle (Departamento de Cinema e Audiovisual - 2003;

“Existe algum inferno maior do que Guantánamo? Ou o Haiti é aqui?

Bom dia amigos,

Gostei muito que você respondesse ao meu e-mail que teve apenas o objetivo de saudar as pessoas e de incitá-las a refletirem e a se posicionarem sobre um escândalo internacional que parece passar despercebido. Obrigado pela atenção de sua resposta e pela precisão sobre Guantánamo. Eu conhecia a origem histórica desse “cancro”, muito embora pouca gente tenha conhecimento. O modo como coloquei a questão foi para contemplar a fórmula de um orientando meu da Pós. Na verdade somos tão carentes de espaços como este que estamos realizando agora...! Eles não substituem nem livros, nem artigos, nem mesmo os Congressos e reuniões diversas. Não sei por que isto não ocorre mais vezes.

Todavia, a questão da relação do governo cubano e do povo cubano com essa base militar, desde o início da Revolução Cubana, colocou um problema fundamental: é possível o socialismo numa pequena ilha? Granados também fez uma Revolução e muito antes do acordo espano-estadonidense que rende a Cuba os miseráveis 5 mil dólares aos quais você se refere, uma revolução foi feita pelos negros haitianos que terminou fracassando. Por quê? Vários foram os motivos, mas com certeza o isolamento pesou substantivamente. Mas uma série de experiências se saldou por fracassos semelhantes, da Comuna de Paris à Revolução de 1917, à Revolução Espanhola, e à chinesa também. Isto coloca o problema, portanto, não da incapacidade de um povo de realizar uma revolução, mas de afirmá-lo e desenvolvê-la e expandi-la. Sem dúvida que os problemas são complexos e não permitem esquemas conclusivos, mas não há como negar que este aspecto da revolução permanente tal qual Marx a prognosticou – e Trotsky desenvolveu até as últimas conseqüências políticas - é uma aquisição central para a luta pelo socialismo no século XXI. Além disso, se trata de uma verdadeira aquisição para a interpretação da própria história e de seus processos sociais. Assim, em que pese todas as responsabilidades dos dirigentes e frações dirigentes da Revolução Espanhola no que concerne a suas escolhas táticas e estratégicas e às suas alianças políticas concretas, o isolamento da revolução na Espanha, ajuda substantivamente explicar os seus fracassos. Com certeza, fracassos esses que se explicam porque são ao mesmo tempo conseqüências das políticas (táticas e estratégicas) de seus dirigentes. Poucos compreenderam (e por que) a sorte da Revolução Russa estava dada em grande medida pela vitória ou pelo fracasso da Revolução Alemã, Húngara, etc. Isto pesou de modo decisivo na explicação do fato, por exemplo, de Trotsky não ter se mobilizado para a realização de um Golpe de Estado

em 1924, 15 e 26. Claro que as lutas internas das massas na URSS também pesaram na sua avaliação, além da compreensão definitiva do
fato de que os golpes não cumprem os objetivos da revolução. Não sei até que ponto Che Guevara teve consciência disto, mas é a mesma dialética que explica sua saída de Cuba. Estamos discutindo assim a dialética da revolução e da contra-revolução no interior e no exterior dos espaços que realizaram revoluções.

Sem dúvida, se democracia não concorda com tortura, Guantánamos nem goulags de nenhuma espécie, muito menos o socialismo. Tudo bem: ele não existe na face da terra. Mas este é o ponto de partida da reflexão e não o de chegada. Socialismos tenham eles as faces que tenham, não brotarão como cogumelos. Mas é preciso também que os setores que representam o aspecto subjetivo dessa empreitada histórica queiram que eles tenham determinadas faces e não outras para que eles se realizem com tais e tais características e não outras. Ou seja: o nosso ponto de partida para a análise do “socialismo” cubano não pode ser apenas a inexistência de socialismos, nem de democracia plena no mundo. Diferentemente de você eu não tenho dúvida de que nos países mais “democráticos” (Noruega, Finlândia, Dinamarca, Suécia, França, Inglaterra, Espanha) não existe verdadeira democracia. Existem torturas e existem censuras e as privatizações são um aspecto da política neoliberal. As conquistas democráticas e sociais que os movimentos sociais que os movimentos diversos realizaram e realizam, as concessões arrancadas de uma mão são tomadas pela outra. E se as bases materiais e sociais de classes subsistem, sem dúvida que eles permitem ao fascismo sobreviver de modo proto ou ordinário, aparecendo com toda a sua face em políticas específicas, sem que seja necessário a seus militantes e dirigentes aparecerem como protagonistas. A natureza política fascista se acha no registro de DNA do capital e desde sua acumulação primitiva, histórica e só desaparecerá quando ele desaparecer, se ele desaparecer sem a humanidade.

É verdade que em países como os nossos esta realidade parece mais feia, pelas favelas, pelo desemprego e pela miséria. Mas se tratam de diferenças de quantidade. Mas se olharmos bem os EUA, suas eleições, sem índice populacional que se encontra abaixo do limite de pobreza é assustador. E Bush que foi eleito para realizar a política que está realizando, não foi eleito livremente. As eleições não foram apenas fraudadas. Foram também “encurraladas” como no Brasil, por exemplo. Bandos armados, semelhantes às SS nazistas (sem farda) vasculharam os redutos “democráticos” e que votariam no candidato democrático e ameaçaram de mortes seus militantes. Eu conheço gente que sofreu de tal experiência. Dos espancamentos e de possíveis mortes, nós não temos notícias. Sobre a questão de tortura em Cuba e a liberdade de expressão, são dois medidores importantes do nível de sua democracia. Durante a Revolução, também ocorreram julgamentos sumários e tortura física, conquanto toda uma discussão se tenha realizado no seio dos dirigentes revolucionários sob a questão da ética revolucionária e da qual o próprio Che foi um dos principais mentores. Depois também, infelizmente. Eu não vou falar do Benigno, que foi se tornou companheiro de Che nas montanhas de Cuba e a quem, dentre outras coisas, agradece a Che de tê-lo alfabetizado e que se acha exilado na França, depois de ter sobrevivido à experiência boliviana fugindo a pé pelo Chile. Ele não pôde permanecer em Cuba porque quis cobrar contas aos dirigentes cubanos. Dois livros relatam sua experiência, ele que foi um dos braços direitos de Che – sem falar de Camilo Cienfuegos que desapareceu misteriosamente no dia do seu casamento dois ou três anos depois da tomada do poder:

1) Dariel Alarcón Ramírez e Mariano Rodríguez. Les survivants Du Che. Monaco. Éditions du Rocher. 1995 (não traduzido no Brasil);

2) Dariel Alarcón Ramírez « Benigno ». Vie et mort de la révolution cubaine. Paris, Fayard, 1996. (também sem tradução)

Ou será que se pode colocar uma única questão: porque não se deixa os “desertores” da Ilha se ir embora? Qual a necessidade de prendê-los na Ilha contra a vontade deles? Um amigo meu me contou que uma vez estava passando férias na Ilha de Itaparica - que fica em frente a Salvador, na sua baia, portanto, e encontrou num dos seus hotéis, algo como 15 jovens estudantes com idades entre 19 e 25 anos. Faziam parte de uma banda de rumba que veio se apresentar em Salvador. Este amigo - que tem casa em Itaparica, depois de ter simpatizado com eles que se interessavam muito pela música brasileira, convidou-os para que fossem até sua casa, escutar música, num sábado à noite. Eles aceitaram dizendo que teriam que falar com o chefe da equipe. Mas certo mal estar já havia se instalado pelo simples convite. No dia marcado, meu amigo telefona para confirmar. Das evasivas não se saiu até uma negativa mal disfarçada, mas sem explicação assumida. De são consciência, desse socialismo eu não quero para os meus filhos e, portanto, eu defendo as conquistas da revolução (educação, saúde, etc.) e o povo cubano. Existe assim, pelo menos uma questão que pode ser colocada diante da constatação que Cuba fez uma revolução, mas não é socialista. A questão que pode ser colocada é: em Cuba, hoje, nas condições que são as suas, é possível se aprofundar conquistas democrático-socialistas? Minha resposta é sim. Os organismos de elaboração dessa política precisam ser desenvolvidos e chamados a elaborar sua política. Trata-se de condição sine qua non da sobrevivência de qualquer revolução popular.

Desgraçadamente, e você tem razão, não se faz uma revolução sem violência. Mas existem violências e violências e diferentes alvos que sofrem sua ação. Uma coisa é você durante a luta pela tomada do poder usar dar armas de fogo, outra coisa é você fazer prisioneiros e arrancar suas unhas para que eles delatem seus superiores ou subordinados e outra coisa é impedir-lhes de que possam dizer, dessa democracia eu não quero, muito particularmente quando não existe troca de fogo permanente, quando não se está numa guerra aberta. Tudo bem: Cuba permanece sob bloqueio econômico. Mas afinal não é melhor que os “dissidentes” saiam do que mantê-los próximo? O filme Antes de anoitecer no qual Javier Barden vive o papel do poeta cubano Reynaldo Arenas, discriminado e perseguido por ser homossexual, nos ajuda muito a pensar qual o socialismo que queremos. Cuba não alcançou o socialismo porque estatizar a produção, mesmo a do grande capital, não é suficiente para alcançá-lo. O blóqueio econômico imposto pelos EUA, não é justificativa para que medidas de construção de um progressivo governo dos trabalhadores possa ser empreendido. O povo precisa aprender a governar através de seus organismos de conscientização, organização e expressão (seus jornais próprios) e para que estes se transformem em um poder efetivo. Educação e saude são conquistas muito boas que a Noruega, a Suécia, a Dinamarca etc., também efetivaram sem que possamos dizer que se tratam de países democráticos. A Alemanha de Hitler acabou com o desemprego, inclusive contra muitos capitalistas. Ademais, a maior educação e a maior saude deve ser revelada pela capacidade desse povo poder discutir livremente, se organizar livremente, porque senão vai ficar sempre a questão: para que que serve o socialismo, senão como obra dá emancipação e para a emancipação dos trabalhadores? Quanto ao bloquéio a união de vários países latino americanos (Brasil, Bolívia, Venezuela, Equador, etc.) podem bem ajudar pelo menos a amenizar.

São outras questões que precisamos discutir. Precisamos sair urgentemente daquela posição que, por pretender que o socialismo – como dizem alguns é uma utopia e por definição não existe em lugar algum – não há porque colocá-lo na ordem do dia. Subordinado a essa perspectiva está aquele velho argumento que perdurou como subproduto das frentes populares e do estalinismo da necessidade de acumulação de forças e da revolução por partes. Há quem defenda com grande capacidade de contorção que a China descobriu a verdadeira via para o socialismo: o desenvolvimento pleno de um capitalismo dirigido por mandarins vermelhos. E assim, enquanto discutimos a acumulação de forças até para discutir o socialismo, a humanidade entrou há muito tempo numa escalada vertiginosa e muito pouco consciente para a maioria da população, de destruição quando, ao mesmo tempo, a chamada globalização, fundiu os tempos históricos de todos espaços. O socialismo hoje, especialmente para quem se reividica de Marx e de suas teorias, é o patamar mínimo necessário do qual qualquer reflexão precisa partir.

Obrigado pela atenção e bom domingo para todos.

Abraços, Jorge ”

SE GRITAR...

quarta-feira, 23 de julho de 2008









Como o site da AMB e dos
grandes jornais que trazem o link estão congestionados, publicamos aqui a relação de nomes e respectivos processos alertando ao (e)leitor para o fato de que existem ilícitos penais de todos os quilates. Embora não haja aqui nem um santo, é bom atentar para o dimensionamento de cada um deles .

A Associação
dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou em seu site nesta terça-feira, uma lista contendo o nome de candidatos a prefeito e a vice-prefeito das capitais que respondem a processo criminal ou eleitoral. O campeão com maior número de processos é o deputado federal Paulo Maluf (PP), que concorre a prefeito em São Paulo. Na mesma lista, mais 03 peixes graúdos: Marta Suplicy Iris Rezende e Amazonino Mendes

Das 26 capitais onde haverá a eleição, 9 candidatos a prefeito e 6 a vice têm "ficha suja" na Justiça.

De acordo com o levantamento da AMB, Maluf responde a um total de sete processos que incluem crimes de responsabilidade, crime contra o sistema financeiro e de improbidade.

A vice em sua chapa, Aline Corrêa de Oliveira (PP), também tem uma ação em seu nome, por crimes contra a paz pública, quadrilha, falsificação de documento e de ocultação de bens.

O ex-governador Amazonino Mendes, candidato a prefeito de Manaus (AM), responde a processo penal enquadrado na Lei de Licitações e em crime contra o sistema financeiro e a ordem tributária.

Como o site da AMB e dos grandes jornais que trazem o link estão congestionados, publicamos aqui a relação de nomes e respectivos processos alertando ao leitor para o fato de que existem processos de todos os quilates. Embora não haja aqui nem um santo, é bom atentar para o dimensionamento de cada um deles .

Amazonino Armando Mendes Prefeito PTB Manaus AM Processos

AÇÃO PENAL Nº 2007.32.00.007742-0, 2ª VARA DA JUSTIÇA FEDERAL DE MANAUS, CRIMES DA LEI DE LICITAÇÕES /CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL/CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA.

OBS: O CANDIDATO IMPETROU HABEAS CORPUS NO TRF-1ª REGIÃO VISANDO O TRANCAMENTO DA ALUDIDA AÇÃO PENAL, TENDO SIDO A ORDEM CONCEDIDA EM SESSÃO REALIZADA NO DIA 24.06.08, SEM QUE, CONTUDO, ATÉ A PRESENTE DATA, ESSA DECISÃO TENHA SIDO PUBLICADA.

Maria Dalva De Souza Figueiredo Prefeita PT Macapá AP Processos

AÇÃO PENAL Nº 491, Supremo Tribunal Federal, CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA/FALSIDADE IDEOLÓGICA/CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL/PREVARICAÇÃO

Sérgio Braga Barbosa Vice-prefeito PPS Fortaleza CE Processos

AÇÃO PENAL Nº 2000.81.00034025-2, 11ª VARA FEDERAL DE FORTALEZA, CRIMES CONTRA FÉ PÚBLICA/FALSIDADE IDEOLÓGICA/USO DE DOCUMENTO FALSO.

Iris Rezende Machado Prefeito PMDB Goiânia GO Processos

AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 200600459998 – 1ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE GOIÁS – IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

OBS: A AÇÃO FOI JULGADA IMPROCEDENTE EM 1º GRAU. O MINISTÉRIO PÚBLICO RECORREU DA DECISÃO E A AÇÃO FOI REMETIDA AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE GOIÁS.

Pitágoras Lincoln de Matos Vice-prefeito DEM Belo Horizonte MG Processos

AÇÃO PENAL Nº 002401605698-8, 4ª VARA CRIMINAL DE BELO HORIZONTE, ABUSO DE AUTORIDADE.

Jorge Carlos Mesquita Vice-prefeito PSL Belém PA Processos

AÇÃO PENAL Nº 2000.2.007274-8, 12ª VARA CRIMINAL DE BELÉM, CRIME CONTRA A PESSOA/LESÃO CORPORAL/CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO/DANO.

Leila Márcia Silva Santos Vice-prefeita Frente Belém Popular Belém PA Processos

AÇÃO PENAL Nº 2001.39.00.005470-5, 3ª VARA FEDERAL DE BELÉM, CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO/DANO/CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA/DESACATO/CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL/SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO.

Marinor Jorge Brito Prefeito PSOL Belém PA Processos

AÇÃO PENAL Nº 1996.2.010154-5, 12ª VARA CRIMINAL DE BELÉM, CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO/DANO/INCITAÇÃO AO CRIME

Hamilton Nobre Casara Prefeito PSDB Porto Velho RO Processos

AÇÃO CIVIL DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Nº 2006.41.00.004196-0, 1ª VARA FEDERAL DE PORTO VELHO, REVOGAÇÃO E ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO.

Lindomar Barbosa Alves Prefeito PV Porto Velho RO Processos

AÇÃO PENAL Nº 462, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO.

Maria Suely Silva Campos Vice-prefeita Boa Vista de Todos Nós Boa Vista RR Processos

AÇÃO PENAL Nº 2008.42.00.000608-0, CRIME CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA/PECULATO

Aline Corrêa de Oliveira Andrade Vice-prefeita PP São Paulo SP Processos

AÇÃO PENAL Nº 473, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA/QUADRILHA OU BANDO/CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA/FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO/ CRIMES DE OCULTAÇÃO DE BENS, DIREITOS OU VALORES

Marta Suplicy Prefeita PT São Paulo SP Processos

AÇÃO PENAL 050.05.029363-0/00 – FÓRUM CENTRAL DA BARRA FUNDA (SP) - 10ª VARA CRIMINAL/ AÇÃO PENAL 455 – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – CRIMES DA LEI DE LICITAÇÕES

Paulo Salim Maluf Prefeito PP São Paulo SP Processos

AÇÃO PENAL Nº 458 – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – CRIME DE RESPONSABILIDADE

AÇÃO PENAL Nº 461 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA/QUADRILHA OU BANDO/CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL/ CRIMES DE OCULTAÇÃO DE BENS, DIREITOS OU VALORES

AÇÃO PENAL Nº 477 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

AÇÃO PENAL Nº 483 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – CRIMES CONTRA O SITEMA FINANCEIRO NACIONAL

AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Nº 583532002023719, FÓRUM FAZENDA PÚBLICA (TJ-SP) (SEGREDO DE JUSTIÇA)

AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Nº 5835320010119506 - 14ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE SÃO PAULO (SP)

AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Nº 583532000178798 - 6ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE SÃO PAULO (SP)

OBS: O SISTEMA DE BUSCA PROCESSUAL DA PÁGINA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO NA INTERNET NÃO OFERECE A POSSIBILIDADE DE FAZER LINKS PARA AS AÇÕES. PARA CONSULTÁ-LAS, ACESSE WWW.TJ.SP.GOV.BR

RAUL DE JESUS LUSTOSA FILHO PREFEITO PT/FORÇA DO POVO PALMAS TO Processos

AÇÃO PENAL 2007.01.00.011040-4, TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL 1ª REGIÃO - CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA

BASTIDORES DA SATIAGRAHA

terça-feira, 15 de julho de 2008



Na edição de ontem, de Vida Brasil, nosso articulista refere-se sutilmente aos bastidores da operação Satiagraha “Exageros e bastidores à parte, foi nesse espírito que se desfechou a operação Satiagraha...” e, a outros motivos que estariam por trás da operação “Teria algo a ver com a fusão da Oi com a Brasil Telecom, empresa da qual Dantas já foi controlador e é grande acionista?...”. Pois bem, o articulista-mor, Alberto Dines, publicou no site Observatório da Imprensa, a pérola que vocês vão ler a seguir.

CASO DANIEL DANTAS
Uma colonoscopia do Estado brasileiro

Alberto Dines

O que está sendo publicado pela imprensa a respeito da telenovela Daniel Dantas é apenas uma parte do que efetivamente aconteceu e está acontecendo. As ações da Polícia Federal divulgadas com destaque pela imprensa além de surpreender o próprio governo, constituem apenas a ponta de um imenso iceberg submerso.

Parte deste iceberg apareceu ontem numa dramática matéria do jornalista Bob Fernandes divulgada no portal Terra Magazine com o sugestivo título “Os Intestinos do Brasil” (leia abaixo a íntegra do texto de Fernandes). O texto é na verdade uma audaciosa colonoscopia, isto é, uma radiografia do aparelho digestivo do Estado brasileiro.

Como nos tempos da ditadura em que as forças armadas estavam divididas entre a “linha dura” e a turma da distensão, temos agora duas alas nos órgãos de repressão à corrupção. Não se trata de uma dissensão ideológica ou mesmo política. É um confronto operacional e, obviamente moral. Por isso, intenso.

Um grupo é mais prudente, o outro, apoiado inclusive pelo Ministério Público, é intransigente, não admite contemplação no combate à corrupção.

A imprensa não tem condições de esmiuçar estes lances travados na sombra. Mesmo porque, como ensina a medicina, movimentos intestinais produzem matéria repugnante.

***

Bob Fernandes, Os intestinos do Brasil, copyright

Terra Magazine

, 9/07/08


A Polícia Federal trabalhou duramente para que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal não queria, de forma alguma, que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal fez tudo para que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal fez tudo para que Daniel Dantas não fosse preso.

A Polícia Federal trabalhou contra a Polícia Federal.Esse é mais um capítulo do mergulho nos intestinos do Brasil. Estão presos o banqueiro do Opportunity, o megaespeculador Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e outros 17 dos 21 que tiveram a prisão decretada. É quarta-feira, 9 de julho.

Nas telas, ondas, bits e páginas, a futebolização de sempre: aplausos entusiasmados, críticas ferozes à ação da polícia. O que ainda não chegou à tona é a verdadeira história dessa gigantesca ação policial, da encarniçada batalha que se travou nos setores de Inteligência e da Polícia.

O que se narra aqui são cenas, é o contorno dessa batalha, mas antes é preciso lembrar que este é apenas mais um capítulo.

Crucial, decisivo para que se entenda o todo, o que se movia, se move - e se moverá -, mas apenas mais um capítulo no enredo da maior disputa da história do capitalismo brasileiro, disputa essa que carrega em si o esteio, a sustentação do poder. Do Grande Poder.
O delegado Protógenes Queiroz comandou as investigações no último ano. Antes dele, ao tentar seguir a pista da organização comandada por Dantas, outros delegados fraquejaram. Ou desistiram, ou…

Protógenes foi conduzido ao comando da investigação sigilosa pelo então diretor geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, hoje chefe da Agência Brasileira de Inteligência, Abin. Paulo Lacerda queria e autorizou a operação até deixar a direção da PF.

Um dia, convidado pelo presidente Lula, Lacerda foi para a Abin. Em seu lugar assumiu Luiz Fernando Corrêa, que chefiava a Força Nacional de Segurança Pública. Luiz assumiu com fama de amigo de José Dirceu.

Se era ou se não era, se suas relações vinham apenas da proximidade no trabalho de segurança da PF ao candidato Lula em eleição anterior, é uma outra questão, mas o fato é que Luiz Fernando chegou ao cargo com essa fama: amigo de José Dirceu.

Logo ao assumir, o diretor da PF quis mais informações sobre que investigação seria aquela relativa aos negócios e métodos de Daniel Dantas. Normal. Parte das suas atribuições de comando.

O delegado Protógenes, por seu lado, ofereceu explicações genéricas, mas guardou o que era secreto, segredo de justiça.

Normal. Manhas de um tira brilhante, esperto, do policial que prendeu Paulo Maluf, o contrabandista Law Kin Chong, que pôs na marca do pênalti o Corinthians da MSI, Kia Joorabichian e Dualib, que investiga para a FIFA as lavanderias do futebol mundo afora.
Normal, em meio aos rumores sobre vazamentos na investigação e, pior, propinas. Subornos em favor de Dantas.

Na diretoria de Inteligência, um aliado do diretor geral na busca de informações amplas sobre o núcleo das investigações: o delegado Daniel Lorenz.

Protógenes Queiróz é duro na queda. Primeiros embates, e a operação Satiagraha perde estrutura. O comando esvazia parte da logística; retira agentes e peritos, encolhe a sala, asfixia as investigações….o corriqueiro nos jogos de guerra.

O jogo é maior, muito maior. As pedras se movem. Ao diretor da Polícia Federal chega o recado. Suave, mas direto: as investigações devem prosseguir.

Fim do ano. Mídia afora, o festival de plantações, versões. A batalha, que é política, comercial, policial, segue seu leito também nas telas, ondas, bits e páginas. Véspera do Natal. Estranhíssima entrevista do diretor geral.

Luiz Fernando Corrêa escolhe o encarte semanal “Brasília” do jornal mineiro Hoje em Dia para mandar um recado em forma de entrevista. Manchete:

-Cada geração tem um papel a cumprir. Cumpriu, sai fora!

Até o vidro fumê do edifício sede da PF em Brasília captou a mensagem e os destinatários: Paulo Lacerda e antigos delegados que comandaram a Polícia durante 4 anos e 8 meses do governo Lula.

Para não haver dúvidas, a capa do tablóide berrou:

-PF dividida.

Véspera do Natal, peru, nozes, vinhos, poucos civis devem ter lido. Mas a polícia inteira leu. Comentou, discutiu. E mesmo o mais desatento agente sacou que a barca do delegado Protógenes Queiroz, fosse qual fosse, não era uma boa aos olhos da direção.

Parênteses. Daniel Dantas e os seus comemoravam, vibravam a cada boa notícia. Sim, o que não faltou nesse enredo foi notícia. Capas e capas.

O carnaval se foi. E um fato: a repórter quer falar com o delegado Queiroz. Quer informações sobre uma investigação que envolveria Daniel Dantas e o Opportunity. Apreensão, no início de abril - e isso são fatos. Objetivos. Conhecidos desde então: a repórter vai publicar o que tem se não for recebida.

A situação se agrava. Por ordem do comando, o delegado Protógenes Queiroz perde quase toda a logística. Fato registrado, inclusive, em imagens: a sala sendo esvaziada, a tralha tecnológica removida.

Queiroz começa a fingir que a operação faz água. Cede, aceita conversar com a repórter; Andréa Michael, da Folha de S.Paulo. Mas faz uma exigência aos superiores: quer a presença do diretor geral, Luiz Fernando Corrêa, e de Lorenz, o diretor de Inteligência.
Corrêa não vai, manda alguém da comunicação social. Lorenz, presente. Na conversa, o delegado Queiroz contorna, tergiversa, despista, e guarda tudo o que disse e o que não disse.

Sábado, 26 de Abril. Anunciado o acordo das teles, vem aí a BrOi. No caderno “Dinheiro”, da Folha, em quase meia página a repórter Andréa Michael relata os contornos de uma operação a caminho, destinada a prender Daniel Dantas.

Domingo, 27 de Abril. A operação está morta. Protógenes Queiroz faz dois movimentos. Primeiro, na véspera, a ligação para Lorenz, que está no Chile. Cobra a conta da conversa com a repórter, quando apenas despistou. A conversa, de parte a parte, não é boa.
Segundo movimento: Queiroz, para efeito externo, dá a operação como morta. Para efeito interno, os fatos incendeiam agentes, peritos e delegados envolvidos numa operação cada vez mais secreta.

Segue a semana. Queiroz é comunicado. Não há, não haverá mais logística alguma. Caso encerrado. Caso que o diretor geral e o diretor de Inteligência seguem a desconhecer em seu teor. O delegado está solto no espaço.

Uma outra rede conecta-se, subterrânea, solidária. O outro lado da polícia trabalha, secretamente, pela Satiagraha, a “firmeza na verdade” de Gandhi.

Notas em colunas, sites. Chutes, bravatas, cascatas, desinformação. A operação é adiada. Uma, duas, três vezes.

O delegado Protógenes Queiroz é monitorado, vigiado. Pela Polícia Federal. E sua equipe contra-ataca: vigia, monitora, flagra e registra, os movimentos dos monitoradores da própria PF.

Daniel Dantas e os seus estão tensos. Em dúvida: acabou, ou não acabou? Na dúvida, encaminham ao Supremo Tribunal Federal um pedido de habeas corpus preventivo, para Dantas e a irmã, Verônica.

Daniel Dantas morde a isca. Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom e o amigo Hugo Chicaroni são os intermediários. A oferta é feita ao delegado Vitor Hugo Rodrigues Alves.

Na churrascaria El Tranvia, bairro de Santa Cecília, São Paulo, o ensaio para o acordo final: US$ 1 milhão.

Como sinal, duas parcelas, uma de 50 e outra de 80, e pagamento em outras duas de US$ 500 mil. Encontros e acordos fechados em 18 e 26 de junho. Para livrar a cara dos Dantas.
Há algo no ar. Frases soltas.

Gilmar Mendes é o presidente do STF. No meio da semana, pós-São João, desponta nas telas, um tempão nos telejornais, nas manchetes do dia seguinte. Refere-se a informações vazadas por policiais, uma “coisa de gângsters” e ao “terrorismo lamentável”.

A fala ecoa. Cada um entende como quer. Críticas gerais às interceptações telefônicas (mesmo às autorizadas judicialmente).

Julho chegou. Fim de semana. Notas, boatos… Daniel Dantas está em Nova Iorque… Daniel Dantas aguarda o habeas corpus para voltar ao Brasil…

Sete de Julho. O delegado geral, Luiz Fernando Corrêa, que até a véspera nada sabia sobre a verdadeira extensão de Satiagraha, quer agora saber de tudo. De tudo, não saberá. Extrema tensão. Como há um mês, no Rio de Janeiro.

Agentes da equipe de Queiroz seguiam gente dos Dantas, pelas ruas do Rio. A polícia foi chamada, quase um confronto até o esclarecimento “somos da PF” e o despiste numa operação banal qualquer. Mas a queixa subiu.

Chegou ao diretor geral da PF, a Heráclito Fortes (DEM-PI) no senado e ao advogado geral da União, José Antonio Toffoli, adentrou o Supremo Tribunal.

Seis da manhã, 8 de julho. Avenida Viera Souto, Ipanema, Rio de Janeiro. Daniel Dantas está preso.

Furacão na mídia, por todo o dia. À noite nos telejornais e no dia seguinte, este 9 de julho, a repercussão.

Gilmar Mendes, o presidente do STF, ataca a “espetacularização das prisões, incompatível com o Estado de Direito”, critica duramente o pedido de prisão, negado, contra a repórter da Folha de S. Paulo:

-…isso faz inveja ao regime soviético…

Frases soltas no ar.

Miriam Leitão, a comentarista econômica, também está no ar. Na rádio CBN, Miriam conversa com Carlos Alberto Sardenberg.

Meio dia e quarenta. Miriam diz não ter entendido direito porque Daniel Dantas foi preso. Afinal, constata, as acusações são inconsistentes, “coisas do passado”, e é preciso que a Polícia Federal explique melhor por que fez essa operação “com tamanho estardalhaço…”
Miriam se vai. Sardenberg chama os comerciais, não percebe que o microfone está aberto, e deixa escapar:

-…ela tava estranha, não?

Frases soltas no ar.

Daniel Dantas está preso. Esse, o policial, é mais um capítulo da operação que chegou aos intestinos do Brasil.

CAÇA ÀS BRUXAS

segunda-feira, 14 de julho de 2008






Não há, hoje, um só brasileiro que não esteja exultante em ver a Justiça, enfim, isonômica. Há sim! Aqueles que conhecem os bastidores e questionam: Onde estão os potentados presos nas operações anteriores? Quantos tubarões continuam atrás das grades?

Tentáculos, Mercado Preso, Confraria, Crepúsculo, Shogun, Capela, Feliz Ano Velho, Matusalém, Têmis, Hurricane, Sanguessuga, Hidra, Anaconda, Águia, Planador, Zaqueu, Zumbi, Lince, Farol da Colina, Soro, Sucuri, Trânsito livre, Pandora, Vampiro e Isaías. E agora com vocês: Satiagraha.

Satiagraha é o termo usado pelo pacifista indiano, Mahatma Gandhi, durante sua campanha pela independência da Índia. Em sânscrito, Satya significa 'verdade'. Já agraha quer dizer 'firmeza'. Assim, Satiagraha é a 'firmeza na verdade', ou 'firmeza da verdade'. Satiagraha significa o princípio da não-agressão, ou uma forma não-violenta de protesto, como um meio de revolução. Satiagraha, também, é traduzido como "o caminho da verdade" ou "a busca da verdade".

Seriam títulos de bons filmes de literatura, de fatos históricos? São sim! Mas aqui estão servindo apenas para nominar as grandes operações da Polícia Federal, organismo que, nas últimas décadas, tem se imposto como sinônimo de competência e inteligência.

Os apelidos dados às operações, não denotam apenas uma estratégia de marketing bem elaborada. Demonstram que foi-se o tempo em que policias se apresentavam como “otoridade”. Os profissionais da PF são, na sua maioria, homens muito bem preparados e dotados, nas suas ações, de um forte conteúdo ideológico.

A Justiça Federal também não fica distante desse mesmo raciocínio. Juízes, na sua maioria jovens, procuram se impor como guardiões da lei. Está aí, uma geração de profissionais que são verdadeiros operários da Justiça. Exageros e bastidores à parte, foi nesse espírito que se desfechou a operação Satiagraha que, na semana passada, levou para trás das grades, mesmo que por pouco mais de 24 horas, dentre outros, o banqueiro Daniel Dantas, o mega investidor ou mega especulador, como querem outros, Naji Robert Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Esse último,cidadão que todos sabem, vive numa doce aposentadoria, recebendo não se sabe (há quem saiba) de onde, uma suculenta mesada

Não há, hoje, um só brasileiro que não esteja exultante em ver a Justiça, enfim, isonômica. Há sim! Aqueles que conhecem os bastidores e questionam: Onde estão os potentados presos nas operações anteriores? Quantos tubarões continuam atrás das grades?

Existem outras perguntas que insistem em não calar. Ao expor os presos à execração pública, sem aqui entrar no mérito dessa questão, porque só a Rede Globo teve o privilégio de acompanhar a operação e filmar os rostos sonolentos de Nahas e Pitta, além da fleugmática elegância de Dantas que parece ter dormido de terno, esperando a chegada dos policiais?

Porque tamanho interesse da Rede Globo especificamente nessa operação? Teria algo a ver com a fusão da Oi com a Brasil Telecom, empresa da qual Dantas já foi controlador e é grande acionista?

Finalmente, está claro até para o mais desatento dos brasileiros, que há uma brutal disputa interna no Judiciário que tem que ser resolvida, urgentemente, para o bem dos bem intencionados e, principalmente, da Nação.

E o Eike que se cuide. Acabou de estrear “Toque de Midas” que, aliás, bem poderia se chamar: “Caça às Bruxas”

O IMPERADOR DO SERTÃO

terça-feira, 8 de julho de 2008

Euclides da Cunha é um município progressista incrustado no sertão baiano, a cerca de 320 km da capital, Salvador. É o que mais se desenvolve na região e polariza as cidades ao seu redor, como Tucano, Monte Santo, Quijingue, Pombal, Araci, Cansanção e Canudos dentre outras.

Até meados dos anos 80, o município foi governado por uma elite política, na época composta pelos chamados coronéis que se revezaram no poder até o ano de 1982, quando o economista Renato Campos rompeu essa estrutura, ao eleger-se prefeito derrotando Antenor Dantas, o último remanescente dessa elite. A proposta de Campos era fazer uma revolução na administração do município e acabar com o clientelismo que até aquela data norteara a política local. Foi o primeiro prefeito do município a portar um diploma de bacharel. Eleito vice-prefeito em 1996, e novamente prefeito em 2000, revelou-se um administrador provinciano, truculento e de idéias curtas. Eleitores que viram nele o caminho para as mudanças, ainda hoje se arrependem de ter deixado de votar no velho Antenor Dantas, que continua vivo e saudável. "Imagina que eu deixei de dar meu votinho encabrestado ao Seo Antenor e fui votar nesse cara", esbravejava arrependido um deles no último São João, enquanto saboreava um delicioso licor de jenipapo numa barraquinha ao lado do Forródromo construído pelo prefeito José Nunes Soares.

José Nunes Soares, O Zé Nunes. Aqui começa outro capítulo na história do Município.

Zé Nunes é o mais bem sucedido empresário que aquela região já produziu. É um ganhador de dinheiro nato. Em meados dos anos 60, ainda ginasiano, enquanto seus contemporâneos que mal completavam a maioridade ingeriam generosas doses de Dreher no bar do Mascarenhas e depois seguiam para a Casa da Alice Grande, Zé Nunes saía da escola e ia se meter entre as peles fedidas que seu pai, Otacílio Soares, comercializava num modesto depósito na Rua do Campo.

Sempre equilibrado e bom moço, Zé Nunes foi absorvendo , assumindo e multiplicando os negócios do pai, que, quando lhe passou o comando de tudo, já era na surdina, o homem mais rico da cidade.

Em 1988, Zé Nunes foi eleito prefeito e fez uma boa administração, levando práticas da sua atividade empresarial para a administração pública. Deixou, ao contrário de todos os outros administradores da chamada nova geração, uma marca de eficiência, habilidade política e, principalmente a ausência de escândalos envolvendo a malversação dos recursos públicos.

Deputado estadual já em quarto mandato, o sertanejo de fala mole consolidou-se como um Democrata moderado que sabe até onde arrisca o pescoço. Carlista leal,tem abertas para ele, as portas de todas as correntes políticas, resultado do tom moderado como conduz a sua atividade parlamentar.

A sucessão-Na vida empresarial, sua habilidade o transformou num poderoso homem de negócios com tentáculos estendidos a várias atividades. Low profile, leva uma vida simples, mas muito distante de simplória. Não ostenta e, não desperdiça o dinheiro que tão bem soube amealhar, porém não se priva das viagens internacionais, de bons restaurantes e dos prazeres que o dinheiro e o poder podem lhe proporcionar. Sempre acompanhado da mulher Fátima, tem uma vida familiar harmônica e ótima relação com os três filhos que estão sendo devidamente preparados para sucedê-lo. Em tudo! O primogênito, por exemplo, como na família Ford ou na do cantor Roberto Carlos, carrega no sobrenome o algarismo romano que lhe define a geração. Chama-se José Nunes II, o “Segundinho”.

O recém aposentado Bill Gates, o homem mais rico do planeta, construiu a sua fortuna em pouco mais de 30 anos. É sensato, econômico, low profile, leva uma vida familiar pacata e cuida muito bem dos bilhões que ganhou a custa de muito trabalho e competência.

Consta que o que fez de Gates o que ele é hoje, foi a fantástica pirâmide de poder que construiu em torno si. Em números hipotéticos, teriam uma fortuna de 10 bilhões de dólares, os 10 homens mais próximos a ele na administração da Microsoft. De 1 bilhão de Dólares, os 100 e assim por diante. Teria sido essa a fórmula encontrada por ele para manter ao seu lado as geniais cabeças que fizeram a Microsoft.

No Brasil, exatamente na Bahia, o mega grupo Odebrecht pratica política similar.

E o que tem essas histórias a ver com Zé Nunes? Aos que se desmancham em elogios ao político euclidense, os adversários rebatem com a tese de que ele é arvore que não dá sombra. Lembram que, tanto no campo político como na iniciativa privada, não permitiu que ninguém crescesse ao seu redor. Na sua poderosa estrutura empresarial, não haveria sequer um executivo de nível. Quem tentou se sobressair foi abortado de forma que a uma certa altura, os filhos já adultos e bem formados pudessem, como já o fazem, ocupar postos chaves. Na política, sepultou todos os que criou. Tanto que, na inexistência de uma liderança pronta para sucedê-lo em Euclides da Cunha e não podendo abrir mão do posto na Assembléia Legislativa da Bahia, teve de optar por uma solução caseira. Tal qual fez nos negócios, lançou candidata a prefeito da cidade, nada mais nada menos do que a mulher, Fátima Nunes.

Adversários&aliados-Uma terceira corrente política local tem utilizado o argumento machista de que a última mulher que governou o município levou a administração ao caos em que se encontra e responde a dezenas de processos por improbidade administrativa. Segundo essa corrente, outra mulher no mesmo cargo seria desastroso. Rebatem os Zenunistas com o slogan “Agora sim, uma mulher de verdade”. Essa mulher de verdade, reafirma essa terceira via, seria tão teleguiada quanto a atual prefeita que também é candidata à reeleição apesar das acusações que lhe pesam

A bucólica cidade que até inicio dos anos 80 fazia a famosa festa de São João fechando a Av.Ruy Barbosa, enchendo-a de barraquinhas a vender bebidas, comidinhas típicas da região e da data, que colocava em cada esquina uma sanfoninha entoando um forró pé de serra, que tinha meia dúzia de vereadores não remunerados a praticar as sextas e sábados um verdadeiro espetáculo de democracia e de embate político idealista, que tinha como secretário de todas as pastas, um único cidadão,-Teophilo Paiva Guimarães, transformou-se, hoje, num monstrengo cuja arquitetura de péssimo gosto parece ter sido criada por um único arquiteto que só sabe desenhar caixotes, fazendo desaparecer sob eles, o belo casario que embelezava a cidade.

O forrozinho foi transferido para um mega- espaço onde, no tradicional São João, bandas pagas a peso de ouro, normalmente com um contrato de exclusividade pra lá de suspeito, tocam de tudo. Às vezes, até forró.

A estrutura administrativa e a Câmara de Vereadores transformaram-se em um verdadeiro cabide de empregos, pagando salários muito além do que se paga na iniciativa privada. Em conseqüência disso, cargos de confiança e a vereança estão envolvidos numa acirrada disputa, onde o objetivo menor é administrar e/ou legislar.

Segundo o historiador José Dionísio Nóbrega, a última grande intervenção urbanística na cidade foi feita pelo prefeito Joaquim da silva Dantas que governou com mão de ferro entre os anos de 1968 a 1972. Construiu praças, escolas , abriu avenidas e nunca se ouviu falar em um caso sequer de corrupção. Joaquim da Silva Dantas, o Ioiô, entrou e saiu da política nessa única administração. Aposentou-se, provavelmente por não fazer concessões.

Excetuando uma parte da Rua da Igreja e da chamada Rua Dos Ricos, não restou, ali, sequer vestígios daquele casario que a fazia encantadora. Não há um só lugar que sirva para alguém sentar e ficar observando a beleza em volta, a não ser, as encantadoras espécimes femininas que a enfeitam.

Não obstante o inequívoco talento político-administrativo do Zé Nunes, do seu poder pessoal de sedução, da marcante possibilidade de, se eleita, Fátima Nunes, apoiada pelo marido, fazer uma brilhante administração, questiona-se a aniquilação das outras lideranças locais. Os adversários, e, por debaixo dos panos, até os aliados comentam a boca pequena. "Quem conseguiu eleger a prefeita a própria esposa ,tem um filho de 28 anos que é engenheiro e bem preparado cujo nome é Jose Nunes II, o Segundinho, advinha a quem elegerá prefeito na sucessão da mulher? Nessa sequência, José Nunes I e ÚNICO, vai transformar-se em breve, no verdadeiro imperador do Sertão.” Arremata.

DUELO DE GIGANTES

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Robert E. Lee Clayton (Marlon Brando) é um matador de ladrões de cavalos chamado por David Braxton, que tem cavalos, uma filha e odeia tais ladrões. Clayton elimina um dos ladrões, o que causa a ira dos demais, e está disposto a acabar com um por um, até encontrar Tom Logan (Jack Nicholson) em seu caminho. Essa é a sinopse de “the Missouri Breaks” que no Brasil recebeu o titulo de “Duelo de Gigantes”. Qualquer semelhança é mera coincidência, mas o imbróglio que envolve hoje a ex-diretora ANAC e charutista militante Denise Abreu (DA) e a Ministra Dilma Roussef (DR) que já foi Estela, Luiza, Patrícia e Wanda, lembra pelo menos o titulo do clássico hollywoodiano.


Para quem não conhece bem os bastidores do reinado de D. Lula I, DR, era escudeira de José Dirceu (JD)que já foi Carlos Henrique Gouveia de Mello, Daniel e Cesinha. JD e DR, desde os tempos da luta aramada contra a chamada ditadura, que não fumam exatamente o mesmo cachimbo.


Nos primeiros momentos do reinado de D. lula, DR não foi para o primeiro escalão, mas ficou de butuca esperando algum tropeço de JD que durante a guerrilha foi subalterno a ela.

DA, a charuteira, aliada de JD, era simpatizante, por osmose, é claro da família Amaro da TAM e dos fundos de negócios que controlam a companhia aérea fundada em Marília pelo genial Cmdte. Rolim Adolfo Amaro, ex-piloto de Amador Aguiar, o gênio que fundou o Bradesco.

Já DR, que finalmente ocupou ao lado de D. Lula I, o lugar que sempre almejou e que JD “ursupara’’ por uma série de “outras” e “entre outras razões”, sempre foi simpatizante da mineira Gol de Constantino..... que terminou por “mineiramente’’ comprar a Varig

Os personagens dessa historieta podem até achar que quem a escreveu ouviu o galo cantar, mas não sabe exatamente onde. Mas sabem que o escriba não é surdo. O resto, o leitor deduz