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NOVO SÍMBOLO

terça-feira, 22 de julho de 2008

A nova sede da televisão central chinesa, que está sendo construída em Pequim, é um monumento arquitetônico que pretende competir com o Big Ben, em Londres, e com a Torre Eiffel, em Paris.

O ambicioso arranha-céu, conhecido como 'donut torcido', é composto por dois blocos de torres que se unem através de uma estrutura de espaço aberto.
A obra do arquiteto holandês, Rem Koolhaas, que começou a tomar forma no fim de 2004, já foi considerada uma reinvenção do design de arranha-céus.

O processo de construção foi tão complexo, que os engenheiros envolvidos no projeto garantem que não teria sido possível fazê-lo há alguns anos. Ao todo foram usadas 10 toneladas de aço para garantir que o edifício resiste a tremores de terra.

Apesar das críticas aos U$ 750 milhões gastos no projeto e à falta de símbolos chineses, o arquiteto Rocco Yim, que em 2002 fez parte do júri que escolheu o 'donut torcido', considera que a obra "capta o espírito futurista que o país tem neste momento".

Deng Xuexian, professor de arquitetura na Universidade de Tsinghua, defende que é normal que o novo design cause polêmica. “Como aconteceu com a Pirâmide do Louvre”, arremata.

O edifício é uma espécie de Torre de Pisa chinesa – torto propositalmente –, com um cálculo estrutural preciso que desafia a gravidade, ligando o topo de dois prédios inclinados a 230 metros de altura (mais de 60 andares). A área construída tem cerca de 10 hectares, incluindo o núcleo de produção e a administração da TV, mais um complexo com hotel, teatro e centro de exposições para os visitantes.

DIRETO PARA HAIA

O ditador hoje.E ontem!

A Justiça sérvia ordenou hoje a extradição de Radovan Karadzic para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, instalado em Haia. A concretização da decisão poderá transformar-se, porém, numa batalha jurídica.


O antigo chefe político dos sérvios da Bósnia (durante a guerra 1992-1995), acusado de ter orquestrado o massacre de Srebrenica, dispõe de três dias para recorrer da decisão, o que, segundo o seu advogado, é o que vai acontecer.

Apesar da Sérvia desejar uma transferência rápida de Karadzic para Haia, a complexidade do dossiê poderá retardar a extradição para o TPI. Criado em 1993, por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, este tribunal visa levar à justiça internacional todos os responsáveis por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante os conflitos que se seguiram ao desmembramento da Jugoslávia.

ESCOPETA NÃO É CHOCALHO

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ao reativarem a IV Frota, os EUA sugerem que têm força para, por exemplo, bloquear o comércio externo da América do Sul. Em teoria, a disposição de um estado mais poderoso a exercer violência só pode ser enfrentada por alianças entre parceiros que consigam superar suas próprias rivalidades

"Pode-se perguntar por que um estado mais forte
desejaria atacar um mais fraco,
mas certamente esse não é o ponto.
O fato decisivo é que, no nível interestatal,
a unidade maior pode atacar os grupos mais fracos.
Como não há quem possa impedir esses ataques,
os grupos humanos mais fracos vivem
em contínuo e inevitável estado de insegurança”

Norbert Elias, Envolvimento e Alienação

A reativação da IV Frota Naval dos Estados Unidos, na zona do Atlântico Sul, provocará uma mudança radical e permanente, nas relações militares dos EUA, com a América Latina. Foi por isto que surpreenderam tanto as primeiras explicações americanas, a respeito da reativação da sua Frota – criada em 1943 e desmantelada em 1950 –, que teria sido uma simples decisão “administrativa”, tomada com objetivos “pacíficos, humanitários e ecológicos”.

A mentira não é um pecado grave no campo das relações internacionais. Pelo contrário, mentir ou dizer meias-verdades, com competência, foi sempre uma arte e uma virtude essencial da diplomacia entre as nações. Portanto, não foi isto que chamou atenção, na declaração das autoridades americanas: foi o seu desrespeito pela inteligência dos interlocutores, e o seu deboche com relação à impotência dos governos afetados pela sua decisão. Mesmo quando se falasse também da necessidade de “combater a pirataria, o tráfico de drogas, de pessoas e de armas”, sem explicar, ao mesmo tempo, porque a IV Frota não foi reativada durante a Guerra Fria, ou mesmo depois da Revolução Cubana e da Crise dos Mísseis, de 1962, quando o “fluxo ilegal de armas e pessoas”, e o “tráfico de drogas” eram iguais ou maiores do que hoje. Por isto, tiveram grande repercussão as declarações “corretivas”, das autoridades navais dos EUA, feitas na Base Naval Mayport, na Flórida, no dia 11 de julho de 2008. Em particular, o discurso inaugural do almirante Gary Roughead, chefe de Operações Navais da Marinha Americana, que redefiniu o objetivo principal da nova Frota, destinada a “proteger os mares da região daqueles que ameaçam o fluxo livre do comércio internacional”, ao mesmo tempo em que advertia, aos desavisados, que “ninguém deve se enganar: porque esta frota estará pronta para qualquer operação, a qualquer hora e em qualquer lugar, num máximo de 24 a 48 horas”.

Com respeito à proteção do comércio marítimo, todos os especialistas sabem que só tem capacidade de proteger o “livre fluxo do comércio mundial”, quem também tem a capacidade de interrompê-lo. Ou seja, quem tem poder para proteger, também tem o poder de excluir concorrentes, se for o caso, quando se acirra a competição entre os estados e os capitais privados – como está acontecendo, neste início do século 21. Depois de quase uma década de crescimento contínuo e acelerado, a economia mundial enfrenta, neste momento, uma disparada dos preços, da especulação e da escassez de algumas commodities fundamentais, como é o caso do petróleo, dos alimentos e dos minerais estratégicos.

A competição imperialista já chegou à África. Deverá atingir a América Latina de forma ainda mais intensa, devido aos recursos energéticos, reservas minerais e hídricas, imensa capacidade de produção alimentar

E neste momento, já está em curso uma nova “corrida imperialista”, entre as grandes potências, que lutam por sua segurança energética e alimentar, exatamente como aconteceu no final do século XIX, e início do século XX. Uma competição que já chegou à África, e deverá atingir a América Latina, de forma ainda mais intensa, graças aos seus recursos energéticos, às suas grandes reservas minerais e hídricos, e à sua imensa capacidade de produção alimentar, muito superior à da África. Em particular, no caso do Brasil, que deverá ser – em breve – o maior exportador mundial de alimentos, e um dos grandes exportadores de petróleo, além de ser o principal “proprietário” das águas e da biodiversidade amazônica. Existindo um agravante, no caso brasileiro, do ponto de vista das autoridades norte-americanas: o fato de ser o país que está liderando os processos de criação da Unasul e do Conselho Sul-Americano de Defesa, organizações que excluem os EUA e esvaziam o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, e a Junta Interamericana de Defesa, controlados pelos norte-americanos.

Esta história, entretanto, traz uma lição importante para o futuro da América Latina, e do Brasil em particular. Faz um século, mais ou menos, o almirante e geopolítico Alfred Mahan, notabilizou-se pela sua defesa militante da idéia que os EUA jamais seriam uma “grande potência”, apoiando-se apenas no seu desenvolvimento econômico. Para ter estatuto internacional, precisariam de uma esquadra naval capaz de projetar o poder americano ao redor do mundo, como havia feito a Inglaterra, no século XIX. O almirante Mahan exerceu grande influência pessoal sobre o presidente Theodore Roosevelt, logo no início do século 20, e depois se transformou no maior símbolo de todos os tempos do poder naval americano. Com razão, porque menos de meio século depois da sua morte, os EUA já eram o maior poder naval da história da humanidade, controlando todos os mares e oceanos do mundo, com suas sete frotas navais.

Neste momento, os EUA acabam de reativar a sua IV Frota, mas poderão criar muitas outras, se quiserem, sem ferir o Direito Internacional, sem precisar utilizar as águas soberanas de outros estados, e sem precisar dar explicações a ninguém. Obedecendo apenas aos seus cálculos estratégicos e ao seu poder de construir e distribuir navios militares ao redor do mundo, como havia proposto Alfred Mahan. Segundo o sociólogo alemão Norbert Elias, a dura verdade é que, “se algum estado for mais forte ou se acreditar mais forte que seus vizinhos, sempre haverá a possibilidade de que tente obter vantagens, o que pode ocorrer de diversas formas, hostilizando-os, fazendo exigências ou invadindo-os e anexando-os [...] e só existe uma possibilidade de um estado com maior potencial de violência ser impedido de explorar ao máximo sua porção de poder relativo: ele só pode ser reprimido por outro estado equivalentemente forte ou por um grupo de estados que consigam controlar as rivalidades entre si em grau suficiente para favorecer seu potencial combinado de poder”

José Luiz Fiori

Sob autorização de Le Monde Diplomatique

A QUEDA DE BUSH

terça-feira, 15 de julho de 2008

A Câmara dos Representantes aprovou hoje, a apreciação de uma acusação contra o Presidente George W. Bush em relação ao Iraque que poderia conduzir à sua cassação, mas que será limitada à exibição televisiva.

Por 238 votos contra 180, a Câmara aprovou o envio à Comissão Judiciária de uma acusação que põe em questionamento, as razões invocadas por Bush para conduzir o país à guerra.

Se tais razões forem consideradas infundadas ou falsas, estará preenchido o requisito para iniciar o processo de impeachment presidencial e o seu julgamento pelo Senado, que pode no limite, decidir pela cassação do Presidente.

Não há, no entanto, dentro das regras processuais para o processo de impeachment tempo suficiente para que o debate chegue ao ponto extremo do julgamento no Senado. Nem é, aliás, essa a intenção da maioria democrata na Câmara dos Representantes, que fizeram questão em sublinhar que as sessões que vão seguir-se não visam abrir o processo de impeachemant

Tratando-se de ano eleitoral, a intenção dos democratas é a de expor, nas sessões, possivelmente transmitidas ao vivo pelas televisões, aquilo que consideram os abusos de poder de George Bush.

A decisão tomada pela Câmara dos Representantes dá, à segunda tentativa, seguimento a uma proposta do congressista democrata Dennis Kusinich, que já vira rejeitada uma proposta anterior que, desta vez, reformulou.

Kusinich, eleito pelo Ohio, anunciou que diversos acadêmicos e críticos da administração Bush serão ouvidos nas sessões.

HÁ ALGO ERRADO NESSA HISTÓRIA

sexta-feira, 4 de julho de 2008

No célebre romance de Shakespeare, Hamlet, após perceber e afirmar que havia “algo de podre no reino da Dinamarca”, passou a fingir-se de louco incapaz de compreender o que se passava ao seu redor. Pois é! Há algo de podre na história do espetacular resgate de Ingrid Betancourt.

Tenho lembranças de soldados austríacos voltando anos depois da segunda guerra mundial dos campos de prisioneiros na Sibéria. Estes sim tinham a cara parecida com aquela imagem divulgada há meses pela mídia, falando de uma pessoa debilitada e doente”, manifesta-se um cidadão austríaco cujos pais foram prisioneiros de guerra...

Já o genial Mané Garrincha, numa das aulas táticas de Vicente Feola, o então treinador da Seleção Brasileira de Futebol que traçava o caminho para o gol explicando como se realizaria cada lance, dirige-se meio ingênuo e meio moleque ao treinador e dispara; “Seu Vicente, o senhor já combinou tudo isso com o adversário?”

Ontem as cúpulas, principalmente de França, Colômbia, Estados Unidos, Bolívia e Venezuela quase decretam feriado pelo grande feito das forças Armadas Colombianas que numa operação cinematográfica de Inteligência, resgatou cinco prisioneiros das FARC’s, entre eles, Ingrid Betancourt que se encontrava há seis anos em cativeiro. Filha de um ex-senador e ex-embaixador colombiano com uma ex-miss Colômbia, Gabriel Betancourt e Yolanda Pulecio, ela viveu boa parte de sua juventude em Paris, onde o pai servia como embaixador da Colômbia junto àUNESCO. Estudou Ciências Políticas no Instituto de Estudos Políticos de Paris. Seu ambiente familiar propiciou-lhe o convívio com personalidades como o poeta Pablo Neruda, o escritor Gabriel Garcia marques e o artista plástico Fernando Botero. Em 2002 Ingrid que é franco-colombiana, candidata-se à presidência da Colômbia e é durante a campanha, seqüestrada pelas FARC’s.

Refeito do susto, o mundo pergunta: Como terá sido mesmo essa operação? A Inteligência colombiana dá um banho de competência. Infiltra seus agentes entre os fanáticos e enlouquecidos guerreiros no meio da selva e com esses convivem sem levantar qualquer suspeita (lembram da pergunta do Garrincha ao Feola?), até que um dia conseguem decolar um helicóptero onde só havia os prisioneiros, os agentes infiltrados e dois guerrilheiros idiotas que se entregaram sem qualquer reação, permitindo que todos chegassem são e salvos a uma base militar colombiana que recebeu todos de braços abertos, principalmente a Srª Ingrid Betancourt, altiva, bem cuidada e alimentada, com uma imagem totalmente distante da prisioneira cabisbaixa, esquálida e com fisionomia de doente que comoveu o mundo (lembram-se da observação do cidadão austríaco?) em fotos de poucos meses atrás. Até parece que antes de ser resgatada passou alguns dias em um SPA cinco estrelas.

Hoje pela manhã a imprensa mundial já começou a questionar a operação e sugere que as FARC’s teriam recebido um resgate de U$ 20.000 000,00. Isso mesmo, vinte milhões de Dólares para libertar os prisioneiros (lembram de Hamlet?), um lance de enorme interesse político para os candidatos à Casa Branca, tanto Barack Obama como John McCain, para o presidente francês Nicolas Sarkozy (afinal, Ingrid é também Francesa), Para Álvaro Uribe que não passa de um Hugo Chaves de direita, até, pasmem, o próprio Chaves e Evo Morales. Quem ficou atento aos depoimentos de Ingrid Betencourt, percebeu a sutil ressalva que ela faz aos dois presidentes que todos sabem, possuem fortes ligações com o grupo de celerados que se intitula guerrilheiro.

E quem teria bancado os U$ 20.000000,00? O Estado? Os Estados interessados?Quem cometeu tal irresponsabilidade teria esquecido que essa fortuna em mãos de bandidos vai financiar dezenas de outros sequestros. Financiar o terror?

Quando o Estado negocia com marginais, vira um Estado marginal. As conseqüências disso tudo, sofreremos brevemente. Se a sociedade não se mobilizar para desmascarar ou ao menos esclarecer as circunstância que culminaram com a libertação de Ingrid e dos outros sequestrados que a acompanharam, o uso político desse episódio vai fortalecer principalmente a corja populista que compõe a atual estrutura de poder na América Latina