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VEM AÍ, O PORTAL VIDABRASIL

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Dia 31 de Agosto de 2003, após 18 anos de circulação ininterrupta, foi impressa a última edição da Revista Vida Brasil. Decorridos 05 anos, depois do silêncio, retornamos com energia redobrada e desta feita, dentro de uma nova concepção editorial.


Embarcados na informática, gestamos através do Blog http://revista-vidabrasil.blogspot.com/, a continuidade da Revista Vida Brasil que mesmo inativa, continuou com seus arquivos hospedados na Loca Web, um dos melhores e mais importantes provedores do país. Para nossa satisfação, segundo relatórios do provedor (foto), embora desatualizada, a Revista Vida Brasil continua recebendo uma média de 8 mil visitas/mês.


Domínio: vidabrasil.com.br


Relatório: Resumo - vidabrasil
Intervalo: 01/06/2008 - 30/06/2008

Totais

Visitas

8218

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17117

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60009

Bytes Transferidos

1,01GB


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273,93

Impressões de Página

570,57

Hits

2000,30

Bytes Transferidos

34,50MB


Médias por Visita

Impressões de Páginas

2,08

Hits

7,30

Bytes

128,98KB

Duração

222s



Baseados nesses dados estamos reconstruindo-a em forma de um moderno Portal de Notícias que pretende chegar ao final do ano com a marca de 100 mil visitas/mês.

Portanto, a partir do dia 30/07/2008, estaremos inaugurando o Portal http://www.vidabrasil.com.br/ que está sendo construído pelo design gráfico Rai Rabelo . Aguarde!

ESTÁ CHEGANDO O AUTOMÓVEL DE AMANHÂ

quinta-feira, 17 de julho de 2008


"Senhor automóvel, por favor, me leva até a Praia de Copacabana!!!. Já não falta muito para que até aqueles que não têm motorista possam viajar de carro sem ter de se sentar ao volante. Nos Estados Unidos, a tecnologia tem dado passos largos nessa direção

Os veículos de teste recorrem a uma mistura de tecnologias convencionais, como câmaras de vídeo, GPS e computadores, e conseguem circular totalmente autônomos, em condições idênticas às encontradas nas estradas, reagindo à sinalização, a veículos em sentidos diferentes e a uma série de obstáculos urbanos. "As mudanças que estamos implementando vão alterar o modo como as pessoas conduzem e utilizam os seus veículos", diz Larry Burns, vice-presidente do setor de Pesquisa, Desenvolvimento e Planejamento Estratégico da General Motors Corporation (GM). "Imaginem ser conduzido por um motorista virtual enquanto lê os seus e-mails, toma o café da manhã ou vê as notícias. O projeto que estamos desenvolvendo com a Carnegie Mellon é um grande passo para tornar estas situações em realidade", arremata.

Levando a sério-A GM, que agora assinou uma parceria com a universidade de Carnegie Mellon, é uma das marcas que está levando mais a sério a automação total dos veículos motorizados. Com esse objetivo, criou o GM-Carnegie Mellon Autonomous Driving Collaborative Research Lab que está sendo implementado por um período de cinco anos, num acordo que envolve cerca de cinco milhões de dólares. O objetivo é influenciar a forma como os condutores e os veículos vão interagir no futuro, através das novas tecnologias, eletrônica e software. No ano passado, a GM e a Carnegie Mellon foram os vencedores do DARPA Challenge, promovido pela Agência de Projetos Avançados de Defesa norte-americana numa antiga base militar da Califórnia.

O carro vencedor, um Chevrolet Tahoe apelidado de "Boss", percorreu os 96 quilômetros da prova urbana, que tinha de ser completada em menos de 6 horas, à média de 22,53 kms/h, obedecendo a todas as regras de tráfego e reagindo aos outros veículos em prova. O feito valeu-lhe um prêmio de 2 milhões de dólares.

Em segundo lugar ficou a equipe da Universidade de Stanford, com um Volkswagen Passat e em terceiro a Universidade da Virginia, com um Ford Escape híbrido. "Os robôs por vezes surpreendem o mundo, inspiram muitas pessoas e alteram as crenças daquilo que é possível fazer", afirma William Whittaker, professor de robótica na Universidade Carnegie Mellon e chefe da equipe vencedora. "Vemos que de vez em quando a percepção do que é possível se altera e que isso não volta atrás. Isto é algo fenomenal para a robótica", acrescenta.

Pioneirismo-A universidade americana foi uma das pioneiras em navegação autônoma, desde o anúncio, em 1984 dos veículos NavLab, mas em 20 anos, muita coisa mudou: melhorou a capacidade de resolução de algoritmos através de processadores centrais mais rápidos e eficazes, que cruzam volumes de informação elevados, o posicionamento GPS, as referências visuais das câmaras de vídeo e os radares. Ao analisar estes dados, os automóveis são ainda forçados a tomar decisões, como ultrapassar em segurança veículos mais lentos que sigam na frente, ou imobilizar-se em caso de outro veículo cruzar seu caminho.

A primeira vez que um carro trafegou sem condutor foi em 1994. O VaMP, uma Mercedes 500 SEL alterado por uma equipe da Universidade de Bundeswehr, em Munique, circulou cerca de 160 quilômetros sem intervenção humana a velocidades próximas dos 130 kms/h - ainda que numa autoestrada - mudando de faixas e ultrapassando outros carros. O projeto, chamado Eureka Prometheus, foi financiado pela União Européia, com o único objetivo de desenvolver automóveis "inteligentes".

Já no caso americano, o objetivo é bem diferente. O projeto, financiado pelo Ministério da Defesa, pretende que até 2015 as Forças Armadas dominem tecnologia que permita que até um terço dos veículos de combate circulem sozinhos. "Qualquer tarefa difícil, suja ou perigosa que possa ser feita por uma máquina em vez de um humano protege os nossos combatentes e permite que valiosos recursos humanos sejam utilizados mais eficazmente", pode ler-se na Lei 106-398 do Congresso norte-americano, que aprovou o financiamento do DARPA Challenge.

AMANHÃ É DIA DE FEIRA

sábado, 12 de julho de 2008


Na Expo'98, ou Exposição Mundial de 1998, realizada em Lisboa, Portugal, entre 22 de maio e 30 de setembro de 1998, o tema foi "Os oceanos: um patrimônio para o futuro”. A água vai ser o eixo central da Exposição Internacional Zaragoza 2008, que sem muito alarde,será inaugurada amanhâ, 14 de Junho e permanecerá até 14 de Setembro.

Sob o tema "Água e Desenvolvimento Sustentável", Zaragoza vai reunir, durante três meses, os maiores especialistas do Mundo e dar a conhecer as opiniões de mais de 120 países sobre o tema. Três vertentes contribuirão para ampliar a idéia central - Água, Recurso Único; Água para a Vida; As Paisagens da Água. Um quarto subtema transversal marcará todo o desenvolvimento da exposição - "Água, Elemento de Relação entre os Povos". Sobre este eixo central, entre Junho e Setembro terão lugar semanas temáticas.




A de Zaragoza é a primeira exposição internacional que se celebra segundo o novo modelo concebido pelo Bureau International des Expositions (BIE), que substitui as antigas feiras universais. As grandes propostas genéricas deram lugar a exposições temáticas, através das quais se pretende um tratamento exaustivo do tema escolhido. A última destas exposições ocorreu na localidade japonesa de Aichi, em 2005, sob o tema "Sabedoria da Natureza", e a que se segue à de Saragoça terá lugar em Xangai, para a qual se escolheu a temática "Melhor Cidade, Melhor Vida"

. A capital de Aragão e toda a região sempre estiveram intimamente ligadas à água através do rio Ebro, o mais caudaloso de Espanha. Esta corrente fluvial foi a inspiração dos promotores da Expo 2008 quando, em 1995, deram os primeiros passos para que pudessem realizar na cidade aragonesa um acontecimento de relevo internacional, que finalmente lhes foi atribuído em Paris, em Dezembro de 2004, em luta com as cidades de Trieste e Tessalónica.




Desde então, Zaragoza viveu e vive voltada para a realização da exposição, para cuja inauguração oficial falta uma semana. A cidade está a sofrer uma transformação radical, que vai marcar o seu futuro. Embora ainda se vejam gruas e zonas em construção, a atividade é frenética para que tudo esteja pronto no dia 14 de Junho e os organizadores não duvidam de que os últimos obstáculos estarão resolvidos antes dos reis de Espanha declararem inaugurada a exposição e os primeiros visitantes acederem ao recinto. Esperam-se cerca de 7 milhões de entradas, das quais já há mais de três milhões vendidas.

O recinto da Expo Zaragoza 2008 localiza-se no meandro de Ranillas, uma antiga zona de hortas familiares rodeada caprichosamente pelo Ebro, em frente da basílica d' El Pilar, o monumento mais emblemático e conhecido da cidade. São 25 hectares, habitados agora por um conjunto de edificações cuja vocação é a de perdurar no futuro através de diversas adaptações. Juntamente com este recinto de exposição, a cidade vai ganhar um Parque da Água com cerca de 20 hectares, obtidos com a reabilitação das ribeiras do Ebro na sua passagem pela zona. Como muitas outras cidades com rio, Zaragoza vivia de costas voltadas para a sua corrente fluvial, cuja área de influência dava lugar a prédios degradados. A idéia da recuperação da zona foi uma preocupação constante dos organizadores e, à luz do que é possível entrever na visita às obras, parece que o objetivo foi conseguido. Com a perspectiva de que as instalações construídas sejam totalmente aproveitadas, não vai haver pavilhões nacionais independentes. Todos os participantes serão alojados num conjunto de oito edifícios de dois planos unidos entre si, com uma superfície utilizável de 61.700 metros quadrados, dotados de toda a classe de serviços, que no futuro se converterão em escritórios. Cerca de 50.000 metros quadrados já estão vendidos. A concepção dos espaços adjudicados fica ao critério dos participantes.




Não obstante, está a ser construída uma série de edifícios e instalações singulares que já revelam a particularidade da Expo 2008. O Pavilhão Ponte, por exemplo, obra da arquiteta iraniana Zaha Hadid, prêmio Pritzker de Arquitetura, vai transformar-se na primeira obra pública deste tipo habitada permanentemente. De 260 metros de comprimento e 7.000 metros quadrados de área útil, albergará, durante a exposição, uma mostra sobre a água enquanto elemento fundamental da vida. No futuro, será utilizado - para além de zona de comunicação entre as duas ribeiras do Ebro, entre a cidade velha e o novo desenvolvimento urbanístico - como recinto de acontecimentos culturais.


A Torre da Água, de 76 metros de altura, obra do arquiteto espanhol Enrique de Teresa, é o edifício mais alto do recinto. Com o seu interior diáfano, será a sede da exposição "Água para a Vida". Outro recinto emblemático do evento, o maior aquário fluvial da Europa, exibirá 5.000 exemplares de 300 espécies provenientes de cinco grandes rios do planeta: Nilo, Amazonas, Mekong, Darling e Ebro. O Aquário será de futuro um dos atrativos mais interessantes da cidade (que, assim, se espera venha a seguir as passadas do Oceanário de Lisboa, no recinto da Expo 98).

O investimento total no recinto da Expo é de 1.7 bilhões de euros, embora o conjunto das obras a realizar em Zaragoza por motivo da exposição ascenda a 3.5 bilhões de euros, entre investimento público e privado.

A POLEMICA DA FOLHA DE COCA

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O tema é pura polemica. Por isso mesmo fizemos questão de estampar matéria autorizada por Le Monde Diplomatique que lança um olhar diferente sobre o problema da coca e dos cocaleiros. Atentem para o fato de que a questão aqui não é a cocaína. É a folha da coca

Em favor da folha de coca

Ligada à cultura ancestral dos povos andinos e consumida há milênios, ela tem propriedades alimentares e farmacêuticas reconhecidas em inúmeros estudos científicos. Mas o preconceito, as políticas toscas de combate às drogas e as pressões dos EUA querem mantê-la proibida

Johanna Levy

Quantas plantas você conhece que fornecem mais cálcio que o leite, mais ferro que o espinafre e tanto fósforo quanto o peixe?”. A provocação da agricultora boliviana Nieves Mamani não é à toa: trata-se de mais uma tentativa de valorizar a coca, sua principal fonte de subsistência. Como centenas de milhares de camponeses andinos ela encontrou nesse cultivo, ilegal em boa parte do planeta, uma alternativa ao desemprego e à falta de competitividade das demais culturas agrícolas. “Nossa esperança é que a coca possa ser comercializada no mundo inteiro. Isso nos traria segurança econômica e a garantia de que nos livraríamos dos narcotraficantes”, insiste.

Porém, no último relatório do Órgão Internacional de Controle dos Estupefacientes (OICS), o produto foi mais uma vez qualificado como “ilícito”. Novamente, conclamou-se “a Bolívia e o Peru a buscarem as modificações necessárias em sua legislação nacional para suprimir ou interditar as atividades contrárias à Convenção de 1961, tais como a mastigação da folha de coca ou a fabricação do mate de coca, além de outros produtos derivados da planta contendo alcalóides, tanto para consumo interno como para exportação” .

Para o governo de Evo Morales, a declaração foi um baque: desde sua chegada ao poder, em 2005, o presidente boliviano vem se empenhando em demonstrar à “comunidade internacional” que a folha de coca não é um estupefaciente. “Sem os Estados Unidos, a coca não seria associada à droga. É verdade que a cocaína pode ser extraída de suas folhas, mas, para tanto, é preciso misturá-las a 41 produtos químicos cujas licenças pertencem às empresas do Norte. Pagamos o preço de uma prática totalmente estranha à nossa cultura”, explicita o camponês Emilio Caero.

Planta sagrada dos Andes , a “mama coca” sofreu os revezes provocados pelo sucesso de suas muitas virtudes. Utilizada durante milênios pelas civilizações pré-incaicas e incaicas com finalidades religiosas e terapêuticas, a erythroxylon coca está inserida há séculos nas culturas amazônicas e guaranis, e desde então chama a atenção por seus efeitos energéticos. Tanto que os evangelizadores consideravam-na um produto do demônio, motivo de vários concílios realizados em Lima entre 1551 e 1772. Mas, como oferecia vantagens mercantis, ela conseguiu sobreviver às perseguições dos religiosos: uma vez mascada, multiplicava os rendimentos da mão-de-obra indígena nas minas. Sob a forma de infusão ou de mate, fez a fortuna de muitos conquistadores europeus muito antes de garantir os lucros da mais célebre bebida do mundo, a Coca-Cola!

Utilizada como anestésico localem cirurgia oftalmológica e também para o tratamento de doenças como a tuberculose ou a asma, a cocaína foi um grande medicamento da farmacopéia moderna até 1923

Em 1858, suas propriedades anestésicas e analgésicas levaram-na ao pináculo da ciência médica com a descoberta da cocaína, que representa menos de 1% dos quatorze alcalóides que podem ser extraídos da folha da coca. Utilizada como anestésico local em cirurgia oftalmológica e também para o tratamento de doenças respiratórias, como a tuberculose ou a asma , ela foi um grande medicamento da farmacopéia moderna até 1923, quando o bioquímico alemão Richard Willstatter criou a molécula sintética.

A folha de coca perdeu então as graças do mundo ocidental. Pior ainda. Passou a ser considerada responsável pela dependência de milhões de consumidores no mundo inteiro. Por solicitação do representante peruano na Organização das Nações Unidas (ONU), em 1959 uma comissão efetuou uma visita relâmpago ao Peru e à Bolívia para “investigar os efeitos da mastigação da folha de coca e as possibilidades de limitar sua produção e controlar a distribuição”. Com uma agenda dessas, era óbvio que havia um pré-julgamento sobre efeitos nocivos da folha, tanto para o consumidor quanto para a nação produtora. Em conclusões apressadas, a comissão acusou a mastigação da coca de provocar má-nutrição e “efeitos indesejáveis de caráter intelectual e mental” nas populações andinas.

A planta foi igualmente considerada responsável pela pobreza do subcontinente, pois se convencionou que seu consumo diminuía a capacidade de trabalho. O acculico (o ato de mascar a coca) continuou a ser qualificado como um “hábito”, mas em 1952 o Comitê de especialistas em fármaco-dependência da Organização Mundial de Saúde (OMS) concluiu que esta atitude tinha “todas as características da dependência e do vício” definida como uma “forma de cocainomania.Assim, aos olhos da “comunidade internacional” os efeitos do uso da folha de coca foram assimilados àqueles produzidos pelo cloridrato de cocaína. Não demorou muito para que ela se tornasse alvo predileto de vigilância e controle. Em 1961, sob a pressão dos Estados Unidos, o maior país consumidor de cocaína no mundo , a folha da coca foi acrescentada ao repertório das “plantas psicotrópicas” pela Convenção Única sobre Estupefacientes e considerada capaz de produzir droga em estado vegetal.

De acordo com os pesquisadores do Transnational Institute, uma rede internacional de especialistas que analisam as políticas públicas globais contra as drogas, esse regime de controle “ultrapassa muito aquele que se aplica a inúmeras plantas psicoativas, várias delas mais propicias a alterar a consciência, como o kava-kava (piper methysticum), a kratom (mitragyna speciosa) e diferentes alucinógenos”.

Proscrita por todas as instâncias internacionais, a folha de coca teve sua produção, industrialização e comercialização proibidas desde então. Apenas o uso tradicional foi sancionado nos países em que existem provas de seu consumo ancestral – no caso, a Bolívia e o Peru. Dois atores de peso, entretanto, escaparam à regra comum e foram curiosamente protegidos: a Coca-Cola e a indústria farmacêutica americana, que produz cocaína para uso médico.

Abundante em sais minerais, fibras e vitaminas e pobre em calorias, a folha poderia figurar entre os melhores alimentos do mundo. Uma análise de três de seus alcalóides que permite adaptar-se à vida nas altitudes

Segundo o Transnational Institute, a folha de coca foi vítima de um duplo erro: por um lado, confundiram seus efeitos com os da cocaína; por outro, assimilaram-na à dependência física provocada pelas opiáceas. “Pode-se sempre argumentar que a coca foi penalizada porque dela deriva a cocaína. Mas o que dizer das diferentes espécies de efedra? Nenhuma delas é mencionada nas convenções internacionais, a despeito da efedrina ser a matéria-prima de um imenso mercado de anfetaminas. E o sassafrás, de cuja casca se extrai o safrole, base para a fabricação do ecstasy?” , questionam os especialistas do instituto.

Desde meados dos anos 1970, vários estudos vêm demonstrando que a folha de coca não é capaz de afetar o sistema nervoso : a cocaína presente na folha seria inteiramente hidrolisada pelo sistema digestivo quando mastigada. Além disso, os benefícios do arbusto foram confirmados por análises científicas. Em 1975, pesquisadores da Universidade de Harvard comprovaram que o valor nutricional da folha de coca é comparável ao de certos alimentos como a quinoa, o amendoim, o trigo ou o milho. “Em termos nutricionais, não há diferença entre a utilização da coca e o consumo direto de comida”, afirmaram os autores da pesquisa .

Abundante em sais minerais, fibras e vitaminas e pobre em calorias, a folha poderia figurar entre os melhores alimentos do mundo. Diretor do Instituto de Cultura Alimentar Andina do Peru, o Dr. Ciro Hurtado Fuentes preconiza sua utilização sob a forma de farinha, produto capaz de combater a fome que ainda afeta 52,4 milhões de pessoas no subcontinente americano. Suas virtudes terapêuticas e farmacêuticas também são evidentes. Uma análise de três de seus alcalóides (cocaína, lisleinamilcocaína e translinalmilcocaína) realizada pelo Centro de Pesquisa Científica e Técnica Ultra-Mar (ORSTOM) da França comprovou que a coca permite “adaptar-se à vida nas altitudes”, ao estimular a oxigenação, impedir a coagulação do sangue e regular o metabolismo da glucose .

Mas os resultados das pesquisas conduzidas pelos laboratórios independentes foram sumariamente ignorados. As diferentes demandas de revisão do estatuto da folha de coca depositadas pelos governos boliviano e peruano foram derrotadas e a única avaliação realizada até hoje é o relatório de 1959, que continua a determinar o critério de referência das Nações Unidas!

É verdade que na década de 1990 foi possível vislumbrar um horizonte de esperança com o “Cocaína OMS/UNICRI”, um programa ambicioso lançado pela OMS em colaboração com o Instituto Inter-regional de Pesquisa das ONU sobre a Criminalidade e a Justiça (UNICRI). O projeto era o maior já desenvolvido sobre o tema: foram quatro anos de intensa investigação em 19 países dos cinco continentes, com 45 pesquisadores internacionais associados.

O relatório, que enfatiza os benefícios para a saúde humana do uso da folha de coca e preconiza a realização de novas pesquisas a respeito de suas propriedades terapêuticas, provocou furor na 48ª Assembléia Mundial da Saúde, reunida em Genebra em 1995. Neil Boyer, representante dos Estados Unidos, acusou o estudo de ser “uma defesa da cocaína por argumentar que a utilização da coca não produzia danos perceptíveis sobre a saúde física ou mental” de seus consumidores . Boyer ameaçou suspender o apoio financeiro de seu governo ao projeto caso as conclusões apresentadas fossem oficialmente adotadas por aquela Assembléia. O relatório, é claro, foi enterrado rapidamente.

Para os países andinos, essa foi mais uma derrota com conseqüências funestas. Assim, s década de 1990 foi marcada pela aplicação de políticas de erradicação do plantio das mais repressivas. Em 1998, a Assembléia Geral das ONU reuniu-se com o objetivo de endurecer a “guerra contra as drogas”. Sob a pressão de Washington, validou o “Plano Dignidade”, destinado à Bolívia, que visava à erradicação forçada e sem compensação das lavouras de coca. No mesmo ano, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o “projeto de eliminação da droga no hemisfério ocidental”, que incluía um orçamento de 23 milhões de dólares para melhorar a eficácia dos herbicidas, além de helicópteros e diversos treinamentos militares no “Plano Colômbia”. Novos micro-herbicidas foram testados na região, malgrado seus riscos para o meio ambiente e a saúde humana.

Durante esse período os enfrentamentos tornaram-se cotidianos na Bolívia, onde não se distinguia o traficante de cocaína do camponês. Entre 1998 e 2002, contaram-se 33 mortos, 567 feridos e 693 detidos do lado dos cocaleros, enquanto as fileiras das forças armadas anunciavam 27 mortos e 135 feridos . “Kawsachun coca, wanuchun yanquis!” (“Viva a coca, fora os ianques!”), tornou-se o grito de guerra dos pequenos produtores.

“A democracia para nós era só um regime totalitário disfarçado atrás de uma fachada democrática”, lembra Nieves Mamani. “Fomos massacrados, torturados, presos. Dividindo-nos, pensavam que nos enfraqueceriam. Na realidade, foi o contrário”. Sem produzir impacto algum sobre o mercado mundial da cocaína, esta estratégia de luta contra o narcotráfico acelerou a construção da mais poderosa organização sindical do país, que reúne as seis federações cocaleras do Trópico de Cochabamba. Em 2005, o movimento conduziu seu dirigente, Evo Morales, à presidência. Eleito com 53,7% dos votos, tornou-se o primeiro presidente cocalero da Bolívia e do mundo. É sobre ele que repousa hoje a árdua tarefa de convencer as Nações Unidas a revisarem o estatuto da folha verde dos Andes.

O “Projeto Cocaína OMS/UNICRI” continua presente na memória de todos. Mas convencer os americanos da validade da estratégia de Morales não será fácil. Para Jorge Alvarado, responsável pela missão diplomática boliviana na Venezuela, a explicação é simples: “manter a exigência de redução das áreas de cultura da coca e considerar que nosso governo auxilia a produção de estupefacientes permite aos Estados Unidos continuarem intervindo em nossos assuntos internos”.

É o que basta para perpetuar o equívoco que durante meio século provocou graves entraves aos direitos dos povos originários da Abya Yala , com o apoio implícito da OMS e da “comunidade internacional”.

QUE LEI É ESSA?

terça-feira, 1 de julho de 2008

O assunto é sem dúvida, sério e polêmico. Estamos falando da Lei Seca. Não aquela instituída nos Estados Unidos em 16 de Janeiro de 1919 através de ratificação da 18ª Emenda da constituição do país, entrando em vigor um ano depois até ser abolida em 05 de Dezembro de 1933. Estamos falando da lei que herdou o mesmo nome e acaba de ser instituída aqui no Brasil, país do Carnaval, das Micaretas, Festas Juninas e do segundo maior grupo cervejeiro do planeta, a AMBEV.

A nova Lei 11.705, que altera o Código de Trânsito Brasileiro, deve provocar uma mudança de hábitos da população brasileira. O consumo de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas por condutores de veículos está proibido. Antes, era permitida a ingestão de até 6 decigramas de álcool por litro de sangue, o que equivale em média, dois copos de cerveja e que ninguém respeitou até hoje. Agora, nem mesmo essa mínima quantidade está permitida. Quem for pego dirigindo depois de beber, além da multa de R$ 955,00 vai perder a carteira de motorista por 12 meses. E se não gostar, vai preso ali mesmo como já aconteceu com centenas de pessoas nas últimas semanas. Está certo isso?Esta sim, porque vai poupar vidas. Entretanto, para que a lei funcione mesmo, é preciso que ela seja exeqüível. Como pode se aplicar tal lei sem oferecer ao cidadão que trabalha e nas suas horas vagas quer sair para divertir-se e beber sua cerveja, a contra partida de um sistema de transporte publico eficiente?

E quanto àqueles que se entopem de cocaína, maconha crack e outros alucinógenos, como serão fiscalizados e punidos?Como avaliar até que ponto a ingestão de álcool pode por em risco vidas humanas, se em cada cidadão, em cada organismo a reação é diferente? Não seria o caso de se substituir o Seco (de Lei Seca) pelo senso (de bom senso)?

Por que não manter a Lei como está atualmente, e os bilhões que despencariam na arrecadação de impostos dos produtores principalmente cerveja, vinhos e destilados nobres aplicar em campanhas inteligentes como a da cidade mineira que estampa outdoors criativos educando o motorista?


Em setembro de 2007, em Los Angeles, o ator Kiefer Sutherland,

mais conhecido como o agente Jack Bauer da série "24 horas", foi preso por supostamente estar dirigindo sob influência de álcool. Pagou U$ 25000,00 de fiança e saiu da cadeia. Em dezembro voltou a dirigir embriagado e foi preso novamente (olha o estado dele na foto). Nova fiança e novamente nas ruas. Agora imagina aqui no Brasil, quantos Kiefer Sutherland existem e podem pagar milhares de vezes aquela multinha de R$ 955,00? Ou então, com agentes de trânsitos mal preparados e mal pagos, pensem quantas notinhas de cem não vão aparecer em meio dos documentos nas horas de abordagem. È o famoso jeitinho brasileiro! A lei vai terminar por gerar um salário extra para esse pessoal. Isso tudo sem falar nos abusos de autoridade e nas chamadas "armações " de flagrantes que vão surgir sempre que se quiser prejudicar alguém

O motorista que se recusar a fazer exames de bafômetros e de coleta de sangue para verificar a quantidade de álcool consumido estará sujeito às penalidades do artigo 165, do CTB. Este dispositivo, em tese, fere o princípio constitucional, pois que ninguém é obrigado a produzir prova contra si próprio.

Existem leis absurdas e difíceis de serem fiscalizadas. No Brasil, por exemplo, uma lei que limitava o juros a 10% ao ano nunca foi cumprida.E nem fiscalizada! Já no Líbano, homens podem legalmente fazer sexo com animais, mas os animais obrigatoriamente têm que ser fêmeas. Manter relações com machos pode levar o homem à pena de morte. Na indonésia, a penalidade para a masturbação, é a decapitação. (?) Uma lei islâmica rege; “após manter relações sexuais com um carneiro, é um crime mortal comer sua carne”. Em Hong Kong, uma esposa traída tem permissão para assassinar o marido adúltero, mas não pode usar luvas. A amante do marido, entretanto, pode ser assassinada de qualquer maneira…Não se sabe como tais leis são fiscalizadas... Para completar essa relação de leis que não pegam ou são difíceis de ser fiscalizadas, só falta mesmo decretar a proibição do tabagismo.

Até a religião foi atingida pela Lei Seca. Imagina que ao rezar a Santa Missa, ou o vigário dorme na igreja ou não pode ingerir o vinho na consagração da Santa Hóstia.

Enquanto isso, bebendo nas esquinas perto de casa, o humor irrvente do brasileiro decreta: “Se um bêbado pode dirigir um país, como não pode dirigir um carro?”

OS SEM DOCUMENTOS

terça-feira, 24 de junho de 2008

Alvos de perseguições cada vez mais freqüentes em toda a Europa, os imigrantes não-regularizados articulam uma onda de greves na região de Paris. Muitos já não temem aparecer em manifestações públicas. Seu trunfo: o continente que hipocritamente os persegue não pode viver sem eles

Olivier Piot

Na França, a passeata de 1º de maio mostrou neste ano uma face inédita. Agitando faixas de diversas organizações, cerca de cinco mil trabalhadores “sem- documentos” dominaram o desfile. Malineses, senegaleses, marfinenses... Até então, estes rostos negros da África eram vistos apenas em reuniões reservadas aos estrangeiros. Mas de repente, eles se convidaram para a manifestação mais tradicional e simbólica da classe operária francesa.Quem são esses milhares de homens e mulheres que reivindicam sua regularização, entre os quais cerca de seiscentos, apoiados pela central sindical CGT, promoveram recentemente greves em uma dúzia de empresas na Île-de-France ? Empregados em setores como hotelaria, restaurantes, construção civil, segurança, limpeza, agricultura, ou trabalhando como empregados domésticos, cozinheiros, sucateiros etc., eles têm como denominador comum o fato de serem todos assalariados. Dispõem de contratos e constam de folhas de pagamento, pagam seus impostos e suas contribuições salariais. Têm em comum também o método para conseguir isso. “Os patrões não controlam a contratação”, revela Konaté, um trabalhador malinês da construção. “Basta mostrar os documentos de um primo ou de um amigo ou até documentos falsos, comprados por 500 ou mesmo 300 euros”.Como aceitam tal situação? “Somente por razões de sobrevivência. De um modo ou de outro, um grande número de estrangeiros trabalha. As poucas centenas de grevistas da Île-de-France representam a linha de frente de milhares de outros”, explica Jean-Claude Amara, responsável pela associação de defesa de direitos Droits Devant!. Segundo dados de certas associações – como o GISTI, o Cimade e o UCIJ –, existem atualmente na França de 300 a 600 mil trabalhadores sem documentos.Embora os salários declarados por esses trabalhadores (entre 1000 e 1400 euros por mês) aproximem-se do SMIC (Salaire Minimum Interprofessionnel de Croissance – Salário Mínimo Interprofissional de Crescimento) , eles escondem um número expressivo de horas extras não remuneradas. A ponto de certos trabalhadores sem-documentos estimarem trabalhar por 3,80 euros a hora, durante semanas que podem atingir 60 horas. “O patronato sabe bem que os trabalhadores estrangeiros são obrigados a aceitar condições de trabalho que os franceses não aceitariam, observa Gérard Filoche, inspetor do trabalho. Horas não remuneradas, demissões abusivas, não-pagamento de demissões e indenizações, trabalho de fim-de-semana e noturno: estamos em setores em que o direito de trabalho é totalmente desprezado.”A Delegação Interministerial de Luta contra o Trabalho Ilegal (Dilti) estima que a proporção de infrações caracterizadas como “emprego de estrangeiros sem autorização de trabalho” quase dobrou na França, entre 2004 e 2006 (de 8,4% para 14,8%). Segundo uma pesquisa realizada no setor de hotelaria e restaurantes, casos de trabalho ilegal foram constatados em 25% dos 7 123 restaurantes investigados e a proporção passa a 61% na Île-de-France . “Nós vivemos a pura lógica da flexibilidade e da rentabilidade, conclui Gérard Filoche. “E a globalização, desta vez, não tem nada a ver com isso, pois os setores implicados são sustentados por grupos franceses, que investem em território nacional, sem concorrência internacional”.

Exploração-Para Jean-Claude Amara, essa “exploração vergonhosa” repousa na “hipocrisia geral”: “o Estado recebe os impostos dos sem-documentos, os fundos sociais beneficiam-se com suas contribuições salariais e os patrões utilizam seus braços com perfeito conhecimento de causa”. Vários empregadores, sob o foco dos holofotes, declararam ignorar que alguns de seus empregados tivessem documentos falsos. “Isso pode valer aqui ou ali, para alguns pequenos patrões isolados”, reconhece Patrick Soulinac, dirigente da CGT em Lyon. “Mas a grande maioria sabe muito bem. Nós temos dossiês nos quais um mesmo trabalhador aparece nas folhas de pagamento com até quatro nomes diferentes”.Francine Blanche, secretária da CGT, estima que essa tendência ultrapassa a noção de “escravidão moderna”. Os trabalhadores sem-documentos, explica ela, são “os deslocados de empresas não deslocáveis” . Como não é possível deslocar um restaurante, um canteiro de obras ou um posto de vigia para países onde se praticam salários vis, o patronato recria, em solo europeu as condições de um mercado de trabalho de baixo custo, recrutando trabalhadores fragilizados por seu “status” de sem-documentos. Esta lógica do “deslocamento sem mudar de lugar” camufla um “trabalho clandestino” que caracteriza uma minoria não desprezível dos assalariados franceses.O recurso a esses “deslocados” aumenta e se diversifica. Um novo mecanismo é a chamada Prestação Transnacional de Serviços (PTS). Consiste em utilizar, na França, trabalhadores assalariados por empresas estrangeiras, que os enviam para realizar um serviço. Em sua pesquisa sobre as condições de trabalho no setor da construção e obras públicas, Nicolas Jounin menciona empresas polonesas, portuguesas e de outras nacionalidades que enviam mão-de-obra para trabalhar na França .E a especialista em ciências sociais e políticas Béatrice Mesini aponta o caso de imigrantes equatorianos, regularizados na Espanha e enviados para a França como trabalhadores agrícolas temporários Para os patrões, essa forma de “subcontratação transnacional” apresenta várias vantagens: o custo da mão-de-obra é menor; os salários são pagos pelo empregador estrangeiro, que, em seu país, recolhe encargos sociais geralmente mais baixos; e o trabalhador não tem necessidade de documentos franceses para trabalhar na França.

Novos regulamentos-Se essas mudanças profundas acontecem em certos setores da economia francesa há vários anos, por que a mobilização dos sem-documentos só ocorreu em 2008? “É uma questão de maturidade, comenta Violaine Carrère, coordenadora de pesquisas do GISTI. “Após a luta dos estrangeiros, aos quais foi negado o direito de asilo na metade dos anos 1980, nós vivemos as ocupações das igrejas (Saint Bernard etc.) no final dos anos 1990”, recorda. “Esses dois movimentos permitiram substituir a imagem do ‘imigrante clandestino’ pela noção de ‘trabalhador sem-papéis’, semelhante à de ‘sem-teto’ ou ‘sem-trabalho’. No verão de 2006, o movimento conduzido pela Rede Educação sem Fronteiras (RESF) permitiu aos estrangeiros não serem mais vistos como silhuetas anônimas e inquietantes. A luta contra a expulsão das crianças das escolas deu rostos, nomes e histórias aos estrangeiros. Com a mobilização dos trabalhadores sem-documentos, os franceses deram-se conta de que os estrangeiros trabalham e quitam todas as suas obrigações como assalariados”.Um outro fator explica esta última transformação da luta dos imigrantes por seus direitos. “No verão de 2006, os novos regulamentos do governo mudaram a situação”, observa Raymond Chauveau, secretário-geral da CGT em Massy e iniciador do movimento. Ao suprimir, em 1974, o direito ao título de estadia baseado no trabalho, o Estado francês incitou os estrangeiros a procurarem a regularização por meio do recurso ao direito de asilo, às situações familiares (1978) ou ao status de estudantes (1993). Há dois anos, foi reintroduzida a possibilidade de se obter um visto de estadia (permissão para morar e trabalhar na França) com base no trabalho (a lei relativa à imigração e à integração, de 24 de julho de 2006). Nicolas Sarkozy contava vincular esse direito à sua doutrina de “imigração selecionada”. Ele então fixou imediatamente em 26 mil a cota de imigrantes a serem expulsos em 2008 (cerca de mil a mais que em 2007) e anunciou o aumento dos centros de detenção.

Esticando a corda-Em julho de 2007, o cerco se fechou. Um decreto do governo obrigou os empregadores a indicar seus empregados sem-documentos, sob pena de multa de 15 mil euros e cinco anos de prisão. O texto criou comoção. Mas, desta vez, no meio patronal. “Eu vi chegarem pequenos empresários assustados nos postos da organização Droits Devant!”, comenta Jean-Claude Amara. De seu lado, a CGT registrou as queixas de milhares de sem-documentos demitidos das empresas. Em 20 de novembro de 2007, a Lei Hortefeux (relativa ao controle da imigração, à integração e ao asilo) indicou uma lista de 150 serviços ditos “sob pressão” (aqueles onde há poucos candidatos às vagas). Ela foi seguida por uma circular, de dezembro de 2007, que limitou a somente 30 os serviços reservados aos imigrantes de países não pertencentes à União Européia. Enfim, uma nova circular, de janeiro de 2008, precisou, preto no branco, que a regularização era possível, a partir da apresentação das folhas de pagamento dos assalariados empregados nos serviços “sob pressão”.O governo esperava que o patronato, pressionado pelo decreto de julho de 2007, apresentasse, ele próprio, os relatórios exigidos. Mas a CGT e o Droits Devant! aproveitaram a brecha. Em fevereiro último, uma greve foi organizada em um restaurante parisiense. Sete cozinheiros foram regularizados. No final de abril, o sindicato entrou com mil pedidos de regularização nos departamentos da Île-de-France. Dez dias mais tarde, cerca de cem grevistas obtiveram ganho de causa.Ou seja, esse movimento incomoda. Não apenas o governo, que pensava ter resolvido o assunto da imigração. Mas também uma parte da CGT, pressionada pela mobilização e acusada por um grupo de sem-documentos de só ter entregue mil pedidos de regularização.Os sem-documentos são determinados. “Nós não temos muita coisa a perder”, observa Bamba, grevista da empresa Millenium, de Igny. “Ao participar de reuniões ou fazer greve, nós sabemos o risco que corremos. Todo sem-papéis que sai da sombra se expõe e pode ser expulso a qualquer momento. Mas há anos saímos de casa, todos os dias, com medo de sermos presos e mandados de volta para nosso país. Então, à luta!”Como era de esperar, a política em relação aos estrangeiros endureceu com Sarkozy. Hostil a qualquer forma de “regularização maciça”, o governo fechou-se em sua posição: os pedidos de regularização serão tratados “caso a caso”, em prejuízo dos que protestam e de alguns responsáveis de federações patronais. Mas essa posição não ajudará Sarkozy a sair do impasse. “É uma regra que alimenta o arbítrio mais impreciso, explica Patrick Peugeot, dirigente da Cimade. “Diante das necessidades reais da economia francesa, o Estado deverá, cedo ou tarde, optar pela regularização sobre critérios transparentes”

Publicação autorizada por Le Monde Diplomatique