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TURBULÊNCIAS NA TAP

quinta-feira, 24 de julho de 2008


Os sindicatos portugueses ligados à aviação reagiram com dureza às propostas apresentadas por Fernando Pinto, presidente executivo da TAP, entre as quais figuram o congelamento dos planos de carreira e o corte do pagamento de horas extras. Pinto que perdeu o emprego na Varig,foi contratado logo depois para salvar a combalida TAP.E salvou! Já a Varig...

Cristina Vignon, líder sindicalista portuguesa,, classificou estas propostas de "inconcebíveis" e "inaceitáveis", frisando que a sua aplicação traria "uma redução de 19% no rendimento dos tripulantes".

Em contrapartida e no âmbito do plano de contenção de custos para fazer face à alta do preço dos combustíveis, a administração da TAP assegura a "manutenção dos níveis de emprego" e a "preservação dos ganhos regulares fixos".

Fernando Pinto irá reunir-se, hoje, com o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) e, na próxima semana, fará novas reuniões com os demais sindicatos. Estes vão encontrar-se, na segunda-feira, para analisar as propostas da empresa e ponderar sobre a eventualidade de novos períodos de greve.

PETRÓLEO: BENÇÃO OU CASTIGO?

terça-feira, 22 de julho de 2008

Acompanhando a descoberta de reservas abundantes em petróleo na área do pré-sal, descortina-se também a polêmica sobre a direção para onde toda esta riqueza vai nos levar. Que pode e vai gerar muito dinheiro, não há dúvidas, pois afinal a lógica do mercado está aqui: os países que não foram agraciados com grandes reservas de petróleo precisam comprar daqueles que produzem. É um dinheiro relativamente fácil, e por conseqüência perigoso.

Juan Pablo Perez, ex-ministro e diplomata da Venezuela (considerado o “pai da OPEP”), ao testemunhar as dificuldades políticas e econômicas causadas pelo petróleo a seu país, afirmou com pesar que, para ele e para a Venezuela, o petróleo nunca foi uma dádiva. Certa vez chegou ao ponto de chamá-lo de “excremento do Diabo”.

É verdade que, mantendo-se as devidas proporções, os grandes produtores de petróleo tiveram (ou ainda têm) economias mais fragilizadas do que aquelas de outros países - como Japão e Alemanha - que jamais contaram com reservas do “ouro negro” (e que passaram boa parte do século XX arrasados por guerras). Hoje, dentre os vinte maiores produtores de petróleo, dezesseis são ditaduras, muitas das quais envolvidas em fortes conflitos militares, e duas são democracias bastante frágeis.

Por outro lado, há de se notar que estamos lidando com uma série de contextos e aspectos político-econômicos distintos, e que equiparar o Brasil de hoje ao que esses países foram no momento de seu próprio surto petrolífero seria um descuido. Não temos, é claro, qualquer intenção de comparar-nos também à Noruega ou aos EUA, países os quais se desenvolveram em larga escala com ajuda do petróleo e que hoje surgem como sociedades muito bem-estruturadas. Somos um caso particular e desta maneira devemos analisar nossa situação.

Uma analogia que podemos traçar neste caso é a hipotética situação de um jovem herdeiro ao receber uma grande fortuna de herança. Sendo este jovem bem estruturado e capaz de administrar suas possibilidades, esta herança poderia multiplicar-se e assim tornar-se capaz de garantir segurança e conforto para várias gerações de sua família. Por outro lado, se sua maneira de encarar a fortuna for indolente, e o dinheiro direcionado para uma vida de excessos, nada sobrará para seus filhos e netos. Assim, seu potencial de desenvolvimento pessoal será completamente anulado, e ao longo dos anos tudo aquilo que lhe chegou como uma dádiva acabará transformando-se em ruína.

Nosso país entra no limiar desta questão, ainda indeciso quanto à sua personalidade. Se por um lado é verdade que a corrupção e a falta de transparência ainda reverberam nas relações econômicas e políticas do país, por outro a evolução existe e tem sido mais rápida do que o esperado. Mesmo com todos os aspectos negativos que as polêmicas do atual governo geraram, é inegável que estamos assistindo à consolidação de nosso processo democrático a cada eleição.

O mundo entra hoje no fim da era do petróleo barato, e o Brasil está na lista dos maiores beneficiados deste novo momento que se precipita. Observe que hoje são especuladas reservas de mais de 60 bilhões de barris, capazes de gerar - a médio prazo - uma produção de (em média) 4 a 5 milhões de barris/dia. Isso significa, considerando que as cotações dificilmente cairão abaixo dos US$ 90,00 (podendo na realidade bater facilmente a casa dos US$200,00) e que consumidores nunca faltarão, que estamos diante de uma realidade econômica capaz de mudar radicalmente nosso país.

A título de exemplo, se em um futuro não muito distante o Brasil exportar apenas 2 milhões de barris/dia e a cotação estiver girando em torno de US$ 150,00, teremos uma receita estimada em 108 bilhões de dólares/ano. Mantida esta receita por 15 anos, o que não é uma previsão de forma alguma utópica, estaremos diante de mais de 1,5 trilhões de dólares (só de exportação).

Não desejamos, é claro, que todo este lucro inscreva o Brasil no “Guiness Book” como o país com o maior número de milionários e bilionários do planeta, portanto, tal qual na analogia do jovem herdeiro, faz-se necessário que o país e aqueles que controlam a Indústria sejam capazes de enxergar esse patrimônio não como dinheiro que jorra do subsolo para o bolso e sim como o recurso que irrigará nosso desenvolvimento.

Propostas sobre como investir os “royalties” e outras receitas do petróleo não faltam. É evidente que a própria Indústria do Petróleo precisará de novos investimentos para se manter produtiva por um prazo satisfatório. Para isso é necessário priorizar a manutenção das reservas, antes de qualquer outro investimento. O investimento social, especialmente em educação, saneamento e infraestrutura, também surge de maneira natural como meio para erguer as bases de um país fortalecido.

Com o capital gerado pelo petróleo, nosso maior desafio passará a ser a identificação das maiores vocações de nosso país, para que saibamos onde e de que maneira investir. Um país com o potencial e o tamanho do Brasil não pode viver de monoculturas e/ou depender somente do petróleo.

O Brasil apresenta, por exemplo, uma forte vocação para tornar-se o "celeiro do mundo”, pois dispomos de milhões de hectares de terra arável disponível, além de abundância de água e excelentes níveis de energia solar. Embora estejamos sempre no topo ou próximos do topo em quesitos como pecuária, café, laranja, soja e cana-de-açúcar, ainda tratamos de maneira desorganizada e amadora nossa produção. Falta inspirar-nos no exemplo da China, que ao ocupar o primeiro lugar (arroz, aço, suínos, pesca, cimento, etc.) trabalha suas possibilidades de maneira tão espetacular que alcança uma distância impressionante de praticamente qualquer outro concorrente.

Ocorre para nós como algo inconcebível que um país com o nosso litoral, superior ao chinês, apresente uma atividade de pesca mais de quarenta vezes menor. Outro exemplo da discrepância da nossa produção é o aço. Com reservas de minério de ferro similares às da China, produzimos 1/6 do aço que produzem os chineses.

Considerando nossa baixa densidade demográfica - 22,18 habitantes por Km² (2006) – é possível projetar o lançamento de parte de nossa população de 188,9 milhões de brasileiros para o interior do país, já que cerca de 85% desta população vive nos grandes centros urbanos, onde a criminalidade e os problemas ambientais apenas seguem aumentando.

É vital também, devemos ressaltar, voltarmos nossos esforços para a preservação e recuperação de nossos rios, águas subterrâneas e solos, pois é este nosso maior patrimônio. Hoje, enquanto o mundo vive sua mais séria crise ambiental em milênios, a manutenção do futuro passa obrigatoriamente por proteger as riquezas naturais do país.

Estamos diante de um ponto de virada da história. Não temos a menor dúvida de que os recursos dos quais dispomos mudarão o destino do país. Como será esse destino, ainda não é possível saber. Mas certo é que o Brasil de hoje vislumbra como nunca a oportunidade de ocupar o lugar que lhe cabe, o espaço de potência que deveria ter sido e ainda não alcançou.

Mauro Kahn & Pedro Nóbrega

O MUNDO É PEQUENO

sexta-feira, 20 de junho de 2008



Na última semana, todas as publicações brasileiras estamparam em suas capas fotos do mais novo bilionário brasileiro. Eike Batista, o homem de 20 bilhões de Dólares.

Para que não haja dúvidas, vou fornecer datas e detalhes precisos. O ano 1990, com o presidente Fernando Collor a todo vapor rompendo barreiras alfandegárias, colocando o país na rota das importações e aparecendo a pilotar uma delas sem capacete e segundo dizem, com documentação ilegal.
Resolvi também adquirir o objeto do desejo de todos os motociclistas de então. Uma moto Kawasaki Ninja ZX11. Embarquei para Miami e na volta, como bagagem desacompanhada, tentei entrar no país com o veículo devidamente legalizado. Óbvio que não deu certo e o imbróglio continua até hoje coma moto devidamente apreendida.
Mesmo assim, não desisti do meu presente. Radicado no Espírito Santo, busquei em jornais do Rio e são Paulo, alguem que tivesse a Ninja com documentação legal. E foi nos jornais do Rio que encontrei o que procurava.

Negócio fechado-Ao telefone uma delicada voz feminina informou-me que a moto era negra, a documentação estava absolutamente em ordem, que o preço era de U$ 35, 000 e que o proprietário não podia atender-me.
Naquela época, achava eu que era um desaforo o cidadão que estava vendendo um veiculo desse valor não querer conversar com o comprador. Depois de muita insistência, uma voz firme de sotaque marcantemente carioca com o arrastar de todos os “xis” que tinha direito, atendeu-me com muita simpatia e bom humor.” Por que você quer vender a moto?”, perguntei. “Porquê tenho duas iguais”. “Por que comprou duas iguais?” “Ora cara, porque tenho duas bundas”. E desmanchou-se em risos.
No final da tarde daquele mesmo dia, recebi um enorme fax com toda a documentação da moto. Chequei tudo e em seguida liguei para o escritório do cidadão. A mesma secretária de voz delicada informou-me que o patrão já tinha ido para casa e para minha surpresa, forneceu-me o telefone residencial. Liguei imediatamente e uma voz formal atendeu-me, identificou-se como sendo o mordomo e a seguir passou a ligação pára o patrão. A conversa foi mais uma vez simpática e o negócio foi fechado pelo valor pedido.

O mundo é pequeno-Dia seguinte ligo para a secretária para pedir um número de conta a fim de fazer a transferência do dinheiro e escuto como resposta” Olha, o doutor recebeu uma proposta de U$ 37.000,00 e quer saber qual a sua proposta” “Proposta?” perguntei indignado e após alguns impropérios desliguei o telefone. Afinal, não estava participando de nenhum leilão, e sim querendo efetuar o pagamento de um negócio que já estava fechado.
Tudo isso ocorreu em 20 de junho de 1990, há, portanto, exatos 18 anos. Á noite embarquei para Nova Iorque em um vôo da Transbrasil e pela manhã aterrisei numa Manhattan já colorida e com cara do verão quente que se iniciaria pelo calendário, no dia seguinte.
A gente ouve toda hora a frase “O mundo é pequeno”. E É!
Do Kennedy vou direto ao Audi Bank, um banco com atendimento bastante peculiar, hoje instalado em uma elegante sede numa das raras casas da Madison Avenue, mas que na época funcionava em uma andar alto de um edifício de esquina na Fifth Avenue, Midtown. Na sala reservada ao atendimento, grupos de cerca de cinco pessoas eram convidados a entrar. Num deles, além de mim um cidadão alto loiro, simpático, brincalhão, e dono de um inglês perfeito, conversava com alguns americanos e referia-se a aquisição de um motor para sua off shore a fim de participar no dia seguinte de um campeonato na Bahia de Nova Iorque. Achei que conhecia de algum lugar o falante cidadão, depois percebi que se não o conhecesse, pelo menos a voz eu conhecia. Havia algo de familiar. Comigo, ele conversava sobre o seqüestro do empresário Roberto Medina, naquele dia ainda em poder dos seqüestradores. ”Acho que te conheço de algum lugar”, disse-lhe eu “Você também não me é estranho”, respondeu. Perguntei-lhe o nome. ”Eike”, respondeu. Eike batista! “E o seu?” ”Celso, Celso Mathias. Sou o cara da moto, de ontem”. Desatamos rir constatando que o mundo era pequeno.
O mais engraçado, é naquela época, eu não tinha a menor idéia de quem era Eike Batista e muito menos que se tratava do filho de Eliezer Batista e de Dona Juta, na época figuras já extremamente ligadas ao Espírito Santo onde eu morava e o casal estava de mudança para uma bela casa numa região de montanha, aonde por sinal, veio a falecer Dona Juta. Lá hoje, mora o viúvo Eliezer, consultor do filho bilionário.

Celso Mathias